quarta-feira, 4 de março de 2015

AS IMPLICAÇÕES SOCIAIS NO USO DA EXPRESSÃO HOMOSSEXUALISMO

As minorias ganham a cada dia mais força e maior representatividade na política, consequentemente, mais voz, espaço e respeito às suas opiniões. No Brasil, uma parcela da sociedade, os homossexuais, considerada como uma dessas minorias, tem crescido consideravelmente, não só em aceitação como em defesa por parte de políticos e personalidades brasileiras como, atores, cantores e apresentadores de televisão. 

Em meio às discussões sobre preconceito, vem com força o combate ao que é chamado de homofobia, aversão a quem é homossexual. A homofobia, segundo o deputado federal Jean Wyllys, no programa global Encontro com Fátima Bernardes em março de 2013, declarou não ser só a violência aos gays, mas, não ser contra e não achar normal falar sobre o assunto em público se caracteriza como homofobia.

Para alguns é um comportamento, uma escolha de vida, para outros mais radicais, uma doença, algo que a OMS – Organização Mundial de Saúde por meio da Classificação Internacional de Doenças, conhecido como CID-10, a homossexualidade não é considerada como uma doença.

Uma das discussões mais atuais da causa contra a homofobia, é a defesa de trocar a expressão homossexualismo por homossexualidade, a discussão gera uma pergunta em todos: haveria grande significação nessa inversão de termos, haveria necessidade?

Segundo os dicionários, como o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, o sufixo ismo pode ter vários significados que representem um sistema político, religião, ideologia, esporte e, também, uma doença.

Em uma entrevista realizada no dia 4 de fevereiro de 2013, pela a apresentadora Marília Gabriela, o pastor Silas Malafaia disse, usando argumentos, segundo ele, da ciência, de que ninguém nasce homossexual, mas se torna devido a alguns fatores que colaboraram para isso, um desses fatores seria a violência sexual sofrida na infância praticada por parentes, por exemplo, ele ainda informa que 46% dos homossexuais passaram a ser homossexuais depois dessa violência. Em uma discussão rápida, onde o Silas usa o termo homossexualismo, Gabriela o corrige dizendo, que não é correto usar a expressão por denotar uma doença, o pastor replica ao dizer que não vê problema em usar tal expressão por representar um comportamento ou uma escolha em ser homossexual. Já para o psiquiatra Ronaldo Pomplana, pode representar algo que somos ou ainda poderíamos ser, e destaca que o preconceito e a falta de informações podem contribuir para que isso seja encoberto.

“A sexualidade é o aspecto mais conflituoso, controverso e desconhecido do ser humano. A nossa cultura lida mal com esse importante aspecto da vida e, para agravar, cria modelos estanques nos quais pretende encaixar e classificar as pessoas. Esses moldes, muitos dos quais baseados apenas no preconceito e na falta de informação não permitem que sejamos exatamente aquilo que somos ou poderíamos ser.”

Os jornalistas, não em sua totalidade, aderiram ao uso politicamente correto, ensinado pelo manual da ABGLT, a não usar termos que afetem a cidadania e dignidade dos milhões pertencentes ao grupo LGBT.

“O manual de comunicação LGBT (Lésbicas, Gays,  Bissexuais, Travestis e Transexuais) é voltado  para profissionais, estudantes e professores da  área de comunicação (Jornalistas, Radialistas,  Publicitários, Relações Públicas, Bibliotecários,  entre outras pessoas). É um dos objetivos da atual diretoria da Associação  Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais,  Travestis e Transexuais – ABGLT, e de ativistas  ligados ao segmento LGBT no Brasil, reduzir o  uso inadequado e preconceituoso de terminologias  que afetam a cidadania e a dignidade  de 20 milhões de LGBT no país, seus familiares,  amigos, vizinhos e colegas de trabalho.”
Por questões de preconceito, alguns defendem o não uso do termo homossexualismo, outros não vêem problema. A discussão é interminável, porém a maioria por entender que por questões ideológicas e até respeitosas, seria necessário o uso correto, como afirma o segmento LGBT, do termo homossexualidade.

WILTON LIMA

Trabalho apresentado em Outubro de 2014 na disciplina de Português II

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