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segunda-feira, 25 de março de 2019

EU TENHO UM SONHO

"Nós somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos; nossa vida pequenina é cercada pelo sono” SHAKESPEARE

Eu tenho um sonho. Sonho com uma sociedade diferente, onde as pessoas não se importarão mais com a cor da pele, com o quanto temos de dinheiro ou quanto politizado nós somos.

É utópico. Mas eu vivo por utopias.

Eu nasci em meio a transformações no mundo. A queda de um muro que dividia vidas e sonhos; o fim da segregação em uma nação, por causa da cor da pele.

Mas não foi o fim. 
Estamos longe.
Ainda é um sonho!

Os muros continuam a ser construídos nos corações dos homens, dividindo uns daqueles que pensam e agem diferente. A cor da pele ainda é um obstáculo para muitos, em nações onde prevalece a hegemonia de uma raça pura, assim como ensinara Hitler.

Muitos, brancos e negros, permanecem calados diante ao preconceito. Uns por medo, outros por aceitação. E como foi alertado por Martin Luther King, é preocupante o silêncio dos bons. 

Porém, quem é bom?

Em nossa sociedade tem sido bom aqueles que promovem o ódio ao diferente. Tem sido bom aqueles que lutam contra ideologias diferentes das suas, com o discurso de retomar a moral da nação. Tem sido bom, os que defendem a volta da tortura e o silêncio forçado daqueles que não concordam ou que apenas lutam por direitos, que porventura não os têm.

Mas eu tenho um sonho. Vivo com esse sonho e almejo um alcança-lo.

É possível sim uma sociedade que não trata diferente por causa da sua cor, da sua religião, da sua opção sexual ou da sua origem. Sim, é possível!

O sonho começa a ser realizado por nós que acreditamos no amor, na força transformadora deste amor.

“Agora é hora de sair do vale escuro e desolado da segregação para o caminho iluminado da justiça racial. Agora é hora de retirar a nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a sólida rocha da fraternidade. Agora é hora de transformar a justiça em realidade para todos os filhos de Deus” (Martin Luther King).

É o nosso momento de transformar o sonho em uma realidade. É nosso momento de lutar, com aqueles e por aqueles, que já não têm mais forças para continuar.

Sejamos resistência a tudo aquilo que maltrata e exclui o outro.

Sejamos pontes de amor, cuidado e proteção.


Wilton Lima

sexta-feira, 22 de março de 2019

DESTRUA OS MUROS, CONSTRUA PONTES

Eu tinha 6 de meses de idade durante um dos acontecimentos mais marcantes da nossa história recente; a queda do Muro de Berlim. 

Iria fazer no mês seguinte, 5 anos, quando chegou ao fim o mais rigoroso regime de segregação racial após a Segunda Guerra Mundial, que aconteceu na África do Sul, que levou o nome de Apartheid e levou à prisão o maior nome contrário ao regime. Nelson Mandela, passou 27 anos preso, simplesmente ao lutar por direito iguais para os negros. 

Muita coisa aconteceu no mundo nos últimos 30 anos. Muitos muros foram derrubados. Muros do preconceito, descriminação, muros de ódio e segregação. Porém, me dói o peito ao ouvir de muitos, às vezes próximos, defender a necessidade de erguer novos muros. Dói no peito a feita de amor em nosso meio. 

Fico a lamentar e resistir o julgamento daqueles que deveriam levar o amor incondicional de Cristo a todos, sem porquês ou talvez. 

Muitos que deveriam ser uma ponte, um elo de ligação dos necessitados a este amor, tornam-se muros firmes e inabaláveis pela dor e sofrimento do próximo. Esquecem que são iguais, falhos e pecadores, nem mais, nem menos, apenas indignos deste amor inexplicável de Jesus. 

Amor que nos é dado sem merecimentos! 

Eu me alegro ao estudar a história de homens e mulheres como Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Nelson Mandela, as 129 operárias estadunidenses queimadas numa fábrica em Nova Iorque, em 1857, as tecelãs e costureiras de 1917, nas greves por direitos na Rússia ou até mesmo nossa Marielle Franco, uma socióloga envolvida na política pela defesa dos Direitos Humanos, morta brutalmente no Brasil em 2018. 

Fico feliz em ver jovens sendo a resistência em meio ao ódio e segregação. Me alegro por não lutar sozinho esta batalha. 

Porém, sei que não é fácil. É uma luta contra gigantes. Muitos têm sua voz calada, às vezes suas vidas tiradas. Não fácil ir na contramão, não é fácil dizer não. 

Os poderosos continuarão a nos oprimir e a segregar, às vezes em nome da moral e dos bons costumes, às vezes tentarão até nos calar. Mas lembremos das lutas dos que vieram antes de nós, inspiremo-nos neles e nelas. 

Não é fácil, não está sendo e nem será fácil! 

Mesmo assim, ao ver muros sendo erguidos por aqueles que têm o poder, dado democraticamente pelo povo, é satisfatório ver a luta de milhares que não aceitam ser muros e têm sido pontes que levam pessoas ao amor, guiam outros a liberdade e esperança. 

Em um mundo que tentam reconstruir o que já foi derrubado, que tentam resgatar a lei do ódio, da vingança e da morte, sejamos a transformação. 

Sejamos pontes de amor, cuidado e proteção.

Wilton Lima