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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O silêncio que incomoda

Eu moro em uma cidade pequena, com pouco mais de 11 mil habitantes, localizada a mais de 300km da capital Fortaleza.

Em março, quando surgiram os primeiros casos da Covid-19 no Brasil, temia-se muito por aqui que o vírus chegasse ao Nordeste e tão logo ao Ceará. E ele chegou e com muita força.
Eu via o desespero de alguns, bem poucos, quando as primeiras mortes eram confirmadas no Brasil. Porém, naquele momento estávamos todos muito apreensivos e com medo do que estava por vir.

Contudo, aos poucos me parecia que tudo ia se tornado normal aos olhos e sentimentos de muitos. Me traziam a sensação, de que para eles eram apenas números e pior do que isso, o sentimento de dor e compaixão não era transmitido, nem mesmo com números tão altos de casos confirmados e com milhares de mortes em todo país.

Hoje, já passamos de 114 mil mortes no Brasil e com mais de 3 milhões e 600 mil casos confirmados da Convid-19.

Por aqui, a sensação é que o vírus não existe e que a dor pela morte de mais de 114 mil pessoas é irrelevante. Isso é apenas um reflexo do que vemos no Brasil, onde seu líder tenta a todo custo minimizar essa grave crise que enfrentamos, pois, seus olhos estão fixos apenas para 2022.

Não sentimos a dor do outro, não nos importamos uns com os outros. Eu confesso que tento manter firme minha esperança de que tudo vai melhorar, não de voltar ao normal, pois nosso normal já era algo muito ruim.

É difícil, muito difícil!

Que possamos ser melhores, nos colocar no lugar do outro, ou tentar, pelo menos. Quem sabe assim, possamos sentir um pouco da dor que as famílias e amigos, das mais de 114 mil pessoas que partiram, estão sentindo nesse momento.

Isso é sobre ser gente. Saber amar e cuidar do outro! 
Podemos tentar?

Wilton Lima

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

UM NATAL TODO DIA

Então chegam as festas de final de ano e as famílias se reúnem para comemorar um natal comestível, brilhante e recheado de presentes.

Festejamos uma hipocrisia coletiva!

Muitos, ao tentar amenizar suas falhas cometidas durante todo um ano, passam a lembrar dos mais carentes, com uma cesta básica talvez ou, doações de brinquedos usados e aquelas roupas já esquecidas também entram no pacote.

Sim, não é errado fazer isso, nem mesmo feio!
Mas depois?

Passamos nas ruas e vemos aquelas mesmas pessoas pedindo ajuda, vemos pais desempregados, pessoas sem um lar para dormir, passando frio, fome, sem um abraço e sem ninguém para lhe ouvir. 

E nós como reagimos?

Passamos nas ruas e vemos muitos entregues às drogas, alguns mendigando para alimentar essa “necessidade” e nós, o que fazemos?

Vemos os noticiários de centenas de mulheres sendo exploradas e amordaçadas diariamente e quando estas mesmas mulheres levantam suas vozes para denunciar e pedir socorro o que dizemos?

E o incontável número de crianças no interior do Nordeste, sendo utilizadas como brinquedos sexuais todos os dias, qual a nossa reação, o que fazemos para mudar?

Eu poderia ainda citar as mortes dos negros que em sua maioria é pobre e morador de favela. Ou mesmo das muitas mortes de homossexuais e que muitas vezes não levamos em consideração.

Onde nós estamos? 
Qual nossa reação para tentar mudar essa realidade? 
Simplesmente nos calamos?

Desejar um Feliz Natal deveria ser mais que um desejo. Deveria haver mais atitude da nossa parte. Lembrar dos que precisam, dos que não tem voz e nem vez no meio que estão, às vezes, jogados às margens de uma sociedade preconceituosa, racista e homofóbica.

Bom seria, se o natal fosse todo dia.

As famílias estariam mais unidas. Os corações mais cheios de esperança; cheios de solidariedade.

Talvez, tivéssemos menos desigualdade; menos opressão. Ouviríamos mais uns aos outros e assim, teríamos mais amor e bem mais compreensão.

Viva este natal todos os dias!

Wilton Lima

domingo, 27 de outubro de 2019

INDO NA DIREÇÃO CONTRÁRIA

Vivemos no tempo em que nos tornamos pessoas descartáveis, e encontrar quem doe atenção, cuidado e amor, é sempre tido como suspeito. 

Estamos no tempo em que nossos políticos legislam em causa própria e encontrar a resistência em alguns não é compreensível, às vezes nem é mesmo aceito. 

Recente, conversando com um amigo sobre os rumos da política e os direcionamentos que a sociedade tem tomado, voltando-se a um conservadorismo extremo, que julga e mata sonhos e que até chega a matar fisicamente por causa das diferenças, é impossível acreditar e querer lutar por dias melhores ou simplesmente por uma mudança ou mesmo lutar pelo direito de ser e viver com as diferenças que por acaso venhamos a ter em relação àqueles que têm o poder sobre o estado. 

Sim, eu ainda acredito em dias melhores e mais justos do que estes que estamos imergidos. 

A mudança verdadeira há de acontecer primeiro por meio daqueles que acreditam e são a resistência. Que dedicam o que têm e o que são, por aqueles que já não tem forças de lutar e acreditar.

É lamentável ver uma parcela considerável da sociedade, formada em sua maioria por religiosos que julgam antes mesmo do Deus que eles dizem servir. Que determinam o que é o certo e errado em uma sociedade plural e de crenças múltiplas, cada uma com sua particularidade, que merece respeito e atenção se necessária. É lamentável ver esse mesmo grupo acreditar em um Messias, que coloca a solução nas armas e na tortura daqueles que não seguem o mesmo rito que ele. 

Estão indo em direções totalmente opostas. Seguindo caminhos já trilhados, caminhos que mataram, torturaram e que para eles, parece ser a solução.

Não dá! 
Eu vou seguir o caminho contrário do deles. Eu vou continuar sendo a resistência, mesmo que para muitos parece ser loucura ou mesmo um ato de rebeldia e talvez seja mesmo. 

Não podemos nos calar e simplesmente aceitar sem antes levantar nosso grito de protesto, sem mostrar que pensamos e que somos diferentes.

À luta, firmes, fortes e unidos!

Wilton Lima

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

PERDIDOS DE SI MESMOS - Parte Final

Uma sociedade de consumidores e de ausência de certezas (Site TodaMatéria)
As pessoas tornaram-se objetos. Não temos mais uma vida social. O amor tornou-se secundário e a busca desenfreada por uma sociedade que se adeque aos nossos próprios anseios é uma realidade cada vez mais visível nesta Modernidade Líquida, como releva os estudos do sociólogo e filósofo polonês, Zygmunt Bauman que morreu aos 91 no ano de 2017, nos deixando um enorme legado sobre a fragilidade do homem em relacionar-se com o outro, em um mundo cada vez mais capitalista e imediatista.

Pessoas usam pessoas e as descartam como um objeto qualquer!

Nos perdemos ao longo da caminhada e juntos, levamos outros a este abismo sem fim. Na busca por uma satisfação imediata descartamos pessoas e sentimentos como uma naturalidade extraordinária. Nos falta o mínimo de empatia nestes dias, nos falta um olhar humano para a dor e necessidade do outro, seja ele branco, preto, homo, hétero, trans, não importa, apenas necessitamos de pessoas que amam pessoas, com suas diferenças, falhas e medos.

Eu tenho medo de como será o fim desta história.

Temos um longo caminho a percorrer, mas temo pelos que ficarão. Nada mais nos satisfaz e isso nos coloca como consumidores não apenas do que é vendável, mas consumimos sentimentos e sonhos e nos desfazemos deles com uma facilidade maior do que a "conquistamos" ou usurpamos.

Volto a reafirmar minha angústia. 

Vivemos um período onde não temos tempo para cuidar um dos outros e dar atenção que eles precisam. 

Precisamos desenvolver em nós, a cultura do cuidado, da compreensão e atenção ao próximo, mesmo que isso não nos pareça vantajoso. Pensar no outro, cuidar e compartilhar da alegria e do amor que há em nós, é essencial para que consigamos o mundo melhor e mais justo.

Ame, cuide e compartilhe dessa verdade; 
Seja o amor que este mundo precisa!

Wilton Lima

sábado, 22 de junho de 2019

Crer e Pensar #011

É cada vez mais difícil dizer que sou cristão e dizer que sou evangélico, no contexto que estamos inseridos, é quase impossível.

Vivemos uma realidade totalmente diferente daquela vivida pela chamada Igreja Primitiva.

Vivo a me perguntar; onde colocaram os ensinamentos de Jesus? O que fizeram do amor, não só pregado, mas vivido e compartilhado com todos, sem distinção de quaisquer diferenças da época.

Há muito tempo meu coração rompeu com esse sistema mercadológico e criminoso que a igreja evangélica brasileira se rendeu. Há muito tempo meu crer passa também pelo pensar consciente e racional.

Não consigo aceitar a instituição igreja evangélica que se cala diante dos dramas vividos, todos os dias, pelas mulheres, negros, LGBTs e outras chamadas minorias; uma igreja que se cala para o drama ecológico vivido por nós, inseridos nesse maldito sistema capitalista que a cada dia nos sufoca e aprisiona. Há algo ainda pior. Uma igreja que se rende a este sistema e ao invés de ajudar, abraçar e compreender esses dramas, os menosprezam e os colocam cada vez mais distantes do amor verdadeiro de Jesus.

Meu coração não consegue aceitar uma igreja que dá voz a um líder político que exalta torturadores e apoio ditaduras, que mata e cala milhares de pessoas inocentes; uma igreja que vê nesse líder a solução para o Brasil. Porém, este mesmo zomba e menospreza a luta de todos nós negros, das mulheres, dos LGBTs e dos indígenas que chegaram primeiro que nós nessa terra. 

Não, eu simplesmente não entendo e não aceito fazer parte desta igreja.

Porém, apesar de tudo isso, eu acredito no amor verdadeiro de Jesus. Amor que cuida e dá proteção. Amor que abraça, ouve e compreende. Amor que cura as dores e nos dá forças para resistir a todo esse mal.

Eu ainda acredito que há igrejas espalhadas por esse Brasil que não se calam e resistem, formadas por pessoas que receberam e entenderam o amor verdadeiro. Eu acredito no meu país, eu acredito em dias melhores e acredito também, que não será fácil a nossa luta.

Sim, apesar de tudo, ainda sou cristão. Eu acredito no Puro e Simples Evangelho de Cristo e é nisso que minha fé e esperança se sustenta.

Wilton Lima

segunda-feira, 10 de junho de 2019

A MORTE DA HUMANIDADE

Vivemos dias difíceis, dias onde não se tem mais empatia pelo outro, quando não é levado em consideração a dor do próximo.

A cada dia o homem tem se tornado mais cruel, levado por um egoísmo inexplicável e amparado por uma ganância terrível. Não há limites para as consequências dos nossos atos, simplesmente para alcançar o que desejamos. Para nós e só para nós.

Chegamos a uma realidade que é mais fácil ou mais aceitável, julgar e condenar do que, ouvir e compreender as razões e motivações do envolvido. Colocamos como prioridade aquilo que julgamos ser o padrão para uma sociedade moralmente aceitável. Porém, quem definiu este padrão moral, quem disse ser o único e correto?

Vivemos dias em que não sabemos mais definir o que é santo e profano, quando nossa vontade é colocada em primeiro plano. Não sabemos a quem recorrer, humanamente falando, quando nossos líderes estão corrompidos pelo poder e aceitação das massas. Massas essas usadas como manobra. Não sabemos mais os lugares certos a frequentar, pois muitos estão sendo usados como palco para promoção do ódio e segregação. Palcos tidos por eles como sagrados.

Nos definem ideologicamente, quando defendemos o amor, a partilha e a compreensão; quando queremos apenas cuidar da dor do outro. Nos definem quando sentimos o desprezo, o preconceito e as mortes daqueles que não tiveram voz nesta sociedade.

É difícil. Está cada vez mais difícil!

Somos excluídos quando não nos moldamos aos padrões deles, ou quando queremos apenas ouvir e cuidar dos que são diferentes, daqueles que não têm opções. Talvez não precisem escolher, talvez devam apenas viver o que são!

Mas é difícil!

Em um mundo cada vez mais dividido e sem amor desinteressado, nossa única opção é resistir. Resistir por aqueles e com aqueles que não têm sua voz ouvida pelo poderosos.

Resistir também é amar. Amar é cuidar!

Wilton Lima

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Crer e Pensar #010

SOU CRISTÃO APESAR DA IGREJA - Parte 02

Eu aprendi a pensar. Aprendi a crer, sem ausentar o meu pensar.

Não foi uma escolha fácil, muito menos aceitável por todos que faziam parte daquela igreja.

Eu me recordo de um domingo, mais precisamente em uma sala de aula da Escola Bíblica, onde pude ver nos professores que tive, um pensamento mais amplo sobre o Cristianismo, sobre como cuidar das pessoas mais de perto, sobre como verdadeiramente amar, sem importar-se com quaisquer diferenças. Claro que não foi aceitável aos meus olhos de imediato, pois estava enraizado em mim um pensamento muito conservador.

O despertar por novas leituras, de autores desconhecidos até então por mim, contribuíram bastante, também, para que me fossem abertos os olhos para uma nova realidade. A realidade ao Puro, Simples e realmente, ao Verdadeiro Cristianismo.

As aulas na Escola Bíblica me ajudaram a pensar fora daquilo que estava proposto, fora dos padrões pré-estabelecidos pela religião.

E o que era proposto, quase sempre me vinham os questionamentos, algo não muito aceito pelas lideranças desta igreja, que têm em seus pastores sempre a palavra final, quase sempre inquestionáveis. Sendo contrário, você é sujeito a repreensões, como o afastamento da comunhão com a comunidade cristã em questão, como não te deixar participar de muitas reuniões realizadas na igreja. Quando se é jovem, as limitações são ainda maiores.

Aos poucos, tais práticas não tinham mais sentido pra mim, agora um pouco mais questionador e que passei a enxergar um evangelho mais cheio de amor e compaixão, que une ao invés de excluir.

Com isso, porém, a caminhada cristã continuava mais difícil e com muitos desafios.

Ainda não era hora de romper com aquela igreja, apesar do desejo e necessidade aparente. O que me mantinha firme, ainda, era ver a luta constante de outros, que andavam na contramão de toda a repressão e exclusão implantadas por àqueles que só viam o seu próprio lado e que era, pra eles, mais fácil julgar as falhas e tropeços dos que estavam abaixo, hierarquicamente.

Eu ainda iria me envolver com a Igreja Local de forma mais intensa. Em trabalhos com adolescentes na Escola Bíblica, no Discipulado, no trabalho com Missões, que sempre me enchia os olhos. Tudo contibuiu é claro, para meu crescimento enquanto cristão que ama e busca a unidade.

Foram mais ou menos dois anos de muito trabalho espontâneo e com muita lealdade as raízes.

As amizades foram fortalecidas e me ajudavam a prosseguir. O desejo já era de continuar, mas passaria!

As limitações comecaram a aparecer. As diferenças não eram aceitas. Mas eu continuei. Eu deveria continuar.

Wilton Lima

segunda-feira, 1 de abril de 2019

DITADURA NUNCA MAIS

Fonte: Cristãos Contra o Facismo
Há 55 anos, se iniciava um dos mais horrendos capítulos da nossa história.

Foram 21 anos de censura e muitas torturas, físicas e emocionais. Muitas crianças foram sequestradas e adotadas de forma criminosa. Muitas famílias separadas e até hoje, muitos desses casos não foram resolvidos, ou quase nenhum.

E o que antes era apenas uma opinião, torna-se agora um programa de governo.

O que deveria ser lembrado para não esquecermos o martírio de milhares de brasileiros, hoje é comemorado e aplaudido por uma elite que esqueceu do outro, que menospreza a dor do próximo.

Eu não vivi esse período tenebroso da história do Brasil. Quando nasci, nossa democracia já dava indícios de novos tempos. Porém, não posso e nem devo me abster da dor daqueles que sofreram a repressão de um regime liderado pelos militares e apoiado por milhares de civis que viam-se ameaçados com a chegada de um pensamento mais liberal e social, que lutava por igualdade de direitos e oportunidade de um pensamento livre.

Não posso esquecer daqueles que sofreram com o Regime Militar, que matava com uma frieza inexplicável, um regime que silenciou a impresa contrária a ele. Eu não sofri a dor deles, mas minha luta é para que minha geração não venha passar por isso, minha luta me fez ficar de luto por aqueles que os militares mataram e simplesmente foram esquecidos.

E hoje, o que me motiva a lutar é o exemplo que tenho dessas pessoas que lutaram por nós no passado, e tenho que lutar pelas gerações futuras.

Não se comemora torturas. Não se comemora a morte.
Ditudura não é pra ser comemorada e sim repudiada.

Este Brasil, nunca mais!

Wilton Lima

domingo, 31 de março de 2019

A IGREJA NA DITADURA MILITAR - Parte 03

A resistência de parte da Igreja Católica e seu apoio ao Golpe Militar de 1964 no Brasil.

Castigados Pela Resistência ao Regime 

Depois da decepção de não ter suas expectativas alcançadas quanto ao apoio dado ao golpe de 1964, movimentos de resistência à Ditadura Militar ganhou força e apoio do próprio Vaticano que veio censurar a ditadura com o tempo de repressão estendido. A CNBB antes a favor tornou-se uma potente voz contra o regime. 

A Igreja e a própria CNBB se tornaram, a partir do AI-5, uma voz contra a ditadura. A igreja mudou de posição à medida que padres, bispos e religiosos eram também perseguidos e vitimizados pela ditadura. O d. Adriano Hipólito, por exemplo, bispo de Nova Iguaçu (RJ), foi apreendido e torturado (Frei Betto, 2004, Entrevista UOL).

No início, o Vaticano através do papa Paulo XI não se posicionou contra a ditadura, mas com "toda essa repressão que atingiu os bispos, fez com que a igreja assumisse cada vez mais uma posição crítica à ditadura" (Frei Betto, 2004). 

Frei Betto, Frade Dominicano e escritor, mineiro de Belo Horizonte, era um jovem estudante adepto da Teologia da Libertação quando as tropas derrubaram João Goulart, em 1964. Foi preso pela primeira vez dois meses após o golpe, permanecendo 15 dias detido. O segundo cárcere foi mais longo, entre 1969 e 1973, e mais cruel. Frei Betto foi submetido a sessões de torturas nos porões do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo, comandado pelo Coronel Brilhante Ustra

Primeiro eu fui levado até o comando da Marinha, na praça Mauá (centro do Rio), onde nós fomos torturados, interrogados e transferidos para Ilha das Cobras (RJ), no quartel de fuzileiros navais. Ficamos uma semana presos e depois fomos levados de volta ao apartamento em que morávamos por conta da CNBB, mas especificamente por conta de Dom Helder Câmera, que era assistente da Ação Católica, e ficamos em prisão domiciliar mais uma semana. Depois fomos liberados sem que houvesse processo formal (Frei Betto, 2004, Entrevista UOL). 

Muitos padres e religiosos, contrários ao regime, foram presos e torturados. Alguns resistiam na clandestinidade, de modo que ajudaram muitos outros a terem abrigo para que não fossem presos pelos militares.

A igreja falhou em seu apoio, mas logo teve que se voltar contra o regime opressor, que calou milhares de forma permanente. Mesmo existindo defensores da ditadura não só dentro da Igreja, mas na sociedade em geral, o apoio se tornou minoria, não tendo representação expressiva nem dentro ou fora da Igreja. 
......
Não se teve como pretensão, no presente trabalho, expor todas as causas e efeitos que geraram o apoio e resistência da Igreja. O trabalho foi baseado no estudo de artigos publicados por acadêmicos e mestres no assunto. Levando em consideração trabalhos publicados pela Igreja e representantes da mesma. A partir de pesquisa, nas principais obras que tratam do assunto, buscou-se definir uma estrutura norteadora, principalmente ao pesquisador, buscou-se, também, classificá-la quanto à natureza do problema e quanto aos objetivos, como foi exposto no presente projeto de pesquisa. 

O objetivo da realização deste projeto, teve como finalidade esclarecer o envolvimento da Igreja Católica com a Ditadura Militar no Brasil e sua reviravolta no processo em que membros da cúpula da Igreja brasileira foram torturados e censurados pelo regime. Entender as motivações que levaram grupos políticos dentro da igreja, a apoiar e resistir a duras conseqüências ao regime que se estabeleceu no Brasil por 21 anos e que até os dias atuais, não tivemos punições aos torturadores de milhares de inocentes, incluindo crianças e idosos.

Wilton Lima

Parte do trabalho apresentado no curso de Jornalismo na disciplina de Metodologia do Trabalho Científico, ministrada pelo saudoso professor Gerison Kesio, em 2014.

sexta-feira, 29 de março de 2019

A IGREJA NA DITADURA MILITAR - Parte 02

A resistência de parte da Igreja Católica e seu apoio ao Golpe Militar de 1964 no Brasil.

O apoio da Igreja Católica

Com a ameaça de se estabelecer no país o socialismo marxista, entendido hoje, como o Comunismo, a Igreja viu-se ameaçada pela invasão de teorias tidas como heréticas considerando seus dogmas. 

O apoio despendido pela Igreja Católica no início do governo militar foi providencial para a concretização do golpe. Essa mobilização por parte da Igreja ocorreu, principalmente, como combate à ameaça do Comunismo, com sua crença ateísta, e o crescimento inerente dos movimentos de esquerda durante a década de 1960. A ação da Igreja não foi muito diferente de diversos setores da sociedade que, temendo e desintegração e a desordem social, se aliaram ao regime (Ana Carolina Machado de Sousa, 2011, historiandonet07).

Houve dentro da Igreja uma divisão de conceitos, trazendo à tona movimentos políticos de esquerda e direita. O setor mais conservador ganhou a discussão e cedeu forte apoiou o golpe militar que deu origem aos 21 anos de opressão no Brasil. A Igreja, através de seus bispos mais influentes e conservadores, entendiam que a ditadura não se estabeleceria por muito tempo, e que por falta de apoio público a situação se estabeleceria logo, mas no momento de crise o mais importante era exterminar a ameaça do comunismo, o que seria perigoso e desastroso para a Igreja Católica e até as protestantes terem sua continuidade com livre expressão no país. 

Em meados de abril de 1964, numa reunião no Rio da qual participei como membro da direção da Ação Católica, houve uma furiosa discussão entre bispos conservadores e progressistas, tendo ganhado o setor conservador. E a CNBB oficialmente apoiou o golpe por ter livrado o Brasil da ameaça comunista (Frei Betto, 2004, Entrevista UOL).

A certeza de que a ditadura não se fortaleceria falhou, ela não só se aprimorou na sua crueldade, no seu desrespeito aos direitos humanos, principalmente a partir de 1968 com o Ato Institucional nº 5 (mas conhecido como AI-5), como também durou 21 anos, uma época que a Igreja e ninguém esperava que acontecesse. 

A Origem e a Punição na Teologia da Libertação 

A Teologia da Libertação surgiu na metade do século XX baseada em dois momentos registrados na Bíblia. Primeiro momento foi a saída do povo de Deus do Egito, onde sofreu com a escravidão e opressão, e o segundo momento foi o resgate do próprio Cristo ao libertar o ser humano do seu estado de sofrimento na terra, morrendo e implantando o reino de Deus aqui na terra. 

Como a teologia tradicional importado da Europa não condizia com a realidade vivida pela massa latino-americana, escravizado e oprimida pela exploração colonial, o desejo de liberdade bate à porta de uma ala progressista da Igreja. 

A teologia da libertação é resposta à problemática pastoral da Igreja, especialmente colocada no contexto latino-americano, em que a luta pela libertação constitui uma exigência fundamental do Evangelho e uma antecipação do Reino de Deus... A salvação de Deus não é um simples estado d’alma, nem, muito menos, uma salvação após a morte, mas uma libertação histórica, a ser desfrutada, aqui e agora, pela pessoa e pela sociedade (CATÃO, 1986, p. 63 e 67).

Leonardo Boff ao olhar para esta “nova” teologia, disse que “não se trata de outra fé, mas da fé dos apóstolos e da Igreja articulada com as angústias e as esperanças de libertação dos oprimidos” (BOFF, 1986, p. 65). Dessa maneira, a Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano de Medellín 

estabelece com vigor que os cristãos precisam se empenhar na luta contra as estruturas injustas da sociedade latino-americana e que este empenho é fundamental e básico para toda ação pastoral. Em antítese à Primeira Conferência, de 1955, a Segunda Conferência, de 1968, orientou a ação da Igreja a partir da promoção humana e da libertação, colocando em cheio a questão do sentido teológico desta ação, questão para a qual a teologia da libertação propõe uma resposta (CATÃO, 1986, p. 57). 

Foi com esse discurso de libertação que os expoentes Frei Betto e Leonardo Boff lutaram contra a opressão causada pela Ditadura Militar no Brasil. 

Tinha perdido a esperança. Que é pior do que perder a fé. Quando o Vaticano interveio na Vozes em 1992, depuseram toda a direção, nomearam um alemão como interventor, que a primeira coisa que fez foi pegar os nossos livros e mandar picotar e queimar. Pegou o arquivo todo da Teologia da Libertação, aquela coleção de cinqüenta tomos, trabalho fantástico de bispos, de teólogos de toda a América Latina, pegou aquilo e jogou no lixo, para ser levado pelos caminhões: ainda consegui correr atrás e salvar. E disse que a Vozes, eu e a Teologia da Libertação fizemos uma chaga muito grande na Igreja e que essa chaga devia ser sanada. E deu uma guinada fantástica na Vozes, que passou a ser uma editora de direita, fechada, contra a Teologia da Libertação. E virou censor pessoal meu. Cada artiguinho que eu fazia ele corrigia tanto, que não dava nem pra publicar. Senti uma profunda humilhação da inteligência: uma editora que ajudou a pensar o Brasil mais à esquerda, o cristianismo mais de libertação, sofrer esse tipo de intervenção. Aí eu digo: "Não, isso é injusto. Um editor que manda queimar livros, como pode ser um editor?" (BOFF, 1998, Site TERRA).

Mesmo com toda luta de resistência e opressão ocorridas durante os 21 anos de ditadura no Brasil, Leonardo Boff continuou seu discurso progressista e crítico em relação às ações da igreja, da qual ele considerou corrupta e desfavorecida aos mais pobres. Discurso que viria incomodar o Vaticano. Em seu livro Igreja, Carisma e Poder, Boff divergia da doutrina católica com respeito à hierarquia da Igreja, esse discurso lhe rendeu um processo junto à Congregação para a Doutrina da Fé. O processo foi finalizado e assinado pelo Cardeal Joseph Ratzinger, foi condenado ao silêncio, perdendo sua cátedra e funções editorias que mantinha na Igreja Católica.

Wilton Lima

Parte do trabalho apresentado no curso de Jornalismo na disciplina de Metodologia do Trabalho Científico, ministrada pelo saudoso professor Gerison Kesio, em 2014.

terça-feira, 26 de março de 2019

A IGREJA NA DITADURA MILITAR - Parte 01

A resistência de parte da Igreja Católica e seu apoio ao Golpe Militar de 1964 no Brasil.

O Brasil vivia uma crise política que se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. Seu vice-presidente, João Goulart, que ficou conhecido popularmente como Jango, assumiu a presidência num clima político adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organizações populares e trabalhadores ganharam espaço, causando temor nas classes mais conservadoras.

A Igreja Católica, ameaçada com tais movimentos sociais, apoiados por um discurso realizado no dia 13 de março de 1964, onde João Goulart, na Central do Brasil (Rio de Janeiro), defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista.

Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas nas ruas do centro da cidade de São Paulo e que auxiliou na queda de Jango. Tal movimento, segundo Frei Betto, foi financiado pela CIA, a Central de Inteligência dos Estados Unidos.

Apoiado pela religião predominante no país e pela classe média, o golpe de 1964 ganhou força. A Igreja temia a instauração do Comunismo no Brasil, movimento com base socialista que defendia os menos favorecidos na sociedade. 

A CNBB (Confederação Nacional do Bispos do Brasil) declarou oficialmente apoio ao golpe por ter livrado o Brasil da ameaça comunista. O setor mais conservador da Igreja pensou que depois de derrubada a ameaça comunista, o clima se estabeleceria no país. Mesmo não tendo um apoio explícito e forte da população, a Igreja pensou que os militares não teriam respaldo da opinião pública e a ditadura não duraria muito tempo, porém, a Igreja se enganou. Foi quando começou o período político mais opressor da história do Brasil.

Wilton Lima

Parte do trabalho apresentado no curso de Jornalismo na disciplina de Metodologia do Trabalho Científico, ministrada pelo saudoso professor Gerison Kesio, em 2014.

segunda-feira, 25 de março de 2019

EU TENHO UM SONHO

"Nós somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos; nossa vida pequenina é cercada pelo sono” SHAKESPEARE

Eu tenho um sonho. Sonho com uma sociedade diferente, onde as pessoas não se importarão mais com a cor da pele, com o quanto temos de dinheiro ou quanto politizado nós somos.

É utópico. Mas eu vivo por utopias.

Eu nasci em meio a transformações no mundo. A queda de um muro que dividia vidas e sonhos; o fim da segregação em uma nação, por causa da cor da pele.

Mas não foi o fim. 
Estamos longe.
Ainda é um sonho!

Os muros continuam a ser construídos nos corações dos homens, dividindo uns daqueles que pensam e agem diferente. A cor da pele ainda é um obstáculo para muitos, em nações onde prevalece a hegemonia de uma raça pura, assim como ensinara Hitler.

Muitos, brancos e negros, permanecem calados diante ao preconceito. Uns por medo, outros por aceitação. E como foi alertado por Martin Luther King, é preocupante o silêncio dos bons. 

Porém, quem é bom?

Em nossa sociedade tem sido bom aqueles que promovem o ódio ao diferente. Tem sido bom aqueles que lutam contra ideologias diferentes das suas, com o discurso de retomar a moral da nação. Tem sido bom, os que defendem a volta da tortura e o silêncio forçado daqueles que não concordam ou que apenas lutam por direitos, que porventura não os têm.

Mas eu tenho um sonho. Vivo com esse sonho e almejo um alcança-lo.

É possível sim uma sociedade que não trata diferente por causa da sua cor, da sua religião, da sua opção sexual ou da sua origem. Sim, é possível!

O sonho começa a ser realizado por nós que acreditamos no amor, na força transformadora deste amor.

“Agora é hora de sair do vale escuro e desolado da segregação para o caminho iluminado da justiça racial. Agora é hora de retirar a nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a sólida rocha da fraternidade. Agora é hora de transformar a justiça em realidade para todos os filhos de Deus” (Martin Luther King).

É o nosso momento de transformar o sonho em uma realidade. É nosso momento de lutar, com aqueles e por aqueles, que já não têm mais forças para continuar.

Sejamos resistência a tudo aquilo que maltrata e exclui o outro.

Sejamos pontes de amor, cuidado e proteção.


Wilton Lima

sexta-feira, 22 de março de 2019

DESTRUA OS MUROS, CONSTRUA PONTES

Eu tinha 6 de meses de idade durante um dos acontecimentos mais marcantes da nossa história recente; a queda do Muro de Berlim. 

Iria fazer no mês seguinte, 5 anos, quando chegou ao fim o mais rigoroso regime de segregação racial após a Segunda Guerra Mundial, que aconteceu na África do Sul, que levou o nome de Apartheid e levou à prisão o maior nome contrário ao regime. Nelson Mandela, passou 27 anos preso, simplesmente ao lutar por direito iguais para os negros. 

Muita coisa aconteceu no mundo nos últimos 30 anos. Muitos muros foram derrubados. Muros do preconceito, descriminação, muros de ódio e segregação. Porém, me dói o peito ao ouvir de muitos, às vezes próximos, defender a necessidade de erguer novos muros. Dói no peito a feita de amor em nosso meio. 

Fico a lamentar e resistir o julgamento daqueles que deveriam levar o amor incondicional de Cristo a todos, sem porquês ou talvez. 

Muitos que deveriam ser uma ponte, um elo de ligação dos necessitados a este amor, tornam-se muros firmes e inabaláveis pela dor e sofrimento do próximo. Esquecem que são iguais, falhos e pecadores, nem mais, nem menos, apenas indignos deste amor inexplicável de Jesus. 

Amor que nos é dado sem merecimentos! 

Eu me alegro ao estudar a história de homens e mulheres como Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Nelson Mandela, as 129 operárias estadunidenses queimadas numa fábrica em Nova Iorque, em 1857, as tecelãs e costureiras de 1917, nas greves por direitos na Rússia ou até mesmo nossa Marielle Franco, uma socióloga envolvida na política pela defesa dos Direitos Humanos, morta brutalmente no Brasil em 2018. 

Fico feliz em ver jovens sendo a resistência em meio ao ódio e segregação. Me alegro por não lutar sozinho esta batalha. 

Porém, sei que não é fácil. É uma luta contra gigantes. Muitos têm sua voz calada, às vezes suas vidas tiradas. Não fácil ir na contramão, não é fácil dizer não. 

Os poderosos continuarão a nos oprimir e a segregar, às vezes em nome da moral e dos bons costumes, às vezes tentarão até nos calar. Mas lembremos das lutas dos que vieram antes de nós, inspiremo-nos neles e nelas. 

Não é fácil, não está sendo e nem será fácil! 

Mesmo assim, ao ver muros sendo erguidos por aqueles que têm o poder, dado democraticamente pelo povo, é satisfatório ver a luta de milhares que não aceitam ser muros e têm sido pontes que levam pessoas ao amor, guiam outros a liberdade e esperança. 

Em um mundo que tentam reconstruir o que já foi derrubado, que tentam resgatar a lei do ódio, da vingança e da morte, sejamos a transformação. 

Sejamos pontes de amor, cuidado e proteção.

Wilton Lima

terça-feira, 19 de março de 2019

SIM, EU SOU NEGRO!

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons"
Martin Luther King

O que uma cor representa para você?

A cor da pele de alguém, diferente da sua, muda alguma coisa?

Como tem sido seu olhar?

Como você reage às lutas por igualdade em uma sociedade multirracial, porém extremamente preconceituosa como a nossa?

O Brasil é um país fantástico, de muitas cores. Um país que sempre atraiu. Porém, é um país que mata, de forma absurda e em números significantes, aqueles que são diferentes, aqueles que não se enquadram nos padrões de uma elite branca, de costumes conservadores e pior, que muitas vezes se dizem cristãos. 

Um país que julga o outro pela cor da sua pele, pela forma como se veste ou fala. 

Um país que acha engraçado as piadas com negros, mulheres, homossexuais, índios ou quaisquer outras “minorias” que sejam diferentes. Um país que segrega quem outrora foi receptível. Que julga os fins das tragédias nas favelas espalhadas em todo Brasil sem querer entender as razões que as levaram acontecer. 

De uma cultura racista que ao cruzar com um negro na rua, à noite e com pouca iluminação, já sente o medo de um assalto ou crimes semelhantes. Um país que julga aqueles que estão entregues às drogas, moradores de rua, vivendo à margem desta sociedade. 

Ao lembrar de relatos históricos da exclusão e das mortes de milhares de negros no meu Brasil, ao ouvir todos os dias sobre preconceitos por causa do tom escuro da pele e de crianças que são excluídas pelos colegas nas escolas, eu não ousaria dizer que sofri com o fato de eu ser negro, porém, não quero dizer que não tenha ouvido brincadeiras quanto a minha cor, apelidos pejorativos e que nunca me senti diferente ou excluído. Sim, isso já aconteceu! Mas vejo dores maiores e delas eu compartilho. 

Quando criança algo me incomodava. Tinha um vizinho, ainda tenho na verdade, que nunca me chamava pelo nome. O tratamento era sempre “neguinho” e não era em tom de carinho e respeito. Me incomodava, mas eu não tinha coragem ou forças para reagir. Só na adolescência tomei coragem de dizer algo como: “meu nome não é neguinho, meu nome é Wilton”. Demorou, mas impus meu respeito e aceitação. 

Aparentemente isso é normal em nossa sociedade. Mas cuidado, nem sempre a forma como você é tratado é a certa. Imponha-se e não tenha medo ou vergonha de ser quem você é ou como é. 

Até quando nós vamos aceitar o preconceito sem nenhuma reação?

Até quando vamos nos calar quanto as mortes dos nossos semelhantes? Milhares de negros, mulheres, homossexuais, índios, nordestinos ou simplesmente pessoas que pensam e agem diferente.

Até quando vamos aceitar isso?

Temos voz e com ela devemos resistir a tudo isso. Sentir a dor do outro e lutar juntos por um país justo e com direitos respeitados. Todos os dias e em todos os lugares. 

Não magoe e nem se deixar magoar! 

Não tenha vergonha de quem você é. Não importa a cor da sua pele, não importa a religião que você segue, não importa sua opção sexual. 

Não importa! 

Lute e seja a resistência em meio ao preconceito e todo tipo de intolerância.

Wilton Lima