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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

CONFISSÕES DE NOITES VAZIAS

Perder-se em meio ao caos que se tornou sua vida, foi algo tão inesperado quanto a aceitação de tudo que lhe foi proposto; em alguns momentos, imposto.

[...]
Transformar sua realidade e até mesmo forjar seus sentimentos para lhes parecerem aceitáveis aos olhos de quem o julga, ou mesmo de quem busca essa reciprocidade, tem aprisionado sua vida real ao ponto de nem mesmo saber quem ele é ou o que sente, nem por quem sente.

Ele se perdeu em meio a este caos!

As noites se tornam cada vez mais tensas, com um brilho tão forte que lhe tira a visão e o empurra ao caminho aposto àquele que grita seu coração;
e assim, mais uma vez, ele entra em um estado de dissensão.

E este conflito ganha forças e ele o alimento; inconscientemente acreditamos.
É certo que o medo que o rodeia e lhe toma pelas mãos, tem um papel fundamental nessa história. Um protagonismo descabido e sem controle algum.

Ele, porém, para e pensa:

— Voltar já não faz sentido, na verdade não tenho essa certeza.
Apenas sei que saí de um abismo profundo e me lancei em um outro que aprisionou o mais complexo dos meus sentimentos e ainda fez libertar meus piores monstros; e eles estão aqui, entrelaçados nos meus versos, que muitas vezes partem para uma direção duvidosa, eu diria até que perigosa, sem um rumo certo. Sou apenas levado pelo momento de dor que eu me lancei ou me fiz lançar!
Eu não sei...
Eu deveria voltar e tentar de novo?

— "Estamos perdidos em meio ao caos que se tornou nossas vidas!"

Sabemos que o caminho de volta é inevitável; ele ainda tem aquela luta, com seu misto de sentimentos complexo e inexplicável, criado por ele e que nos parece ser este, um caminho sem volta; e talvez deva ser.

O mais duro e difícil de ser aceito por ele é que em meio a tudo isso, ele se encontra sozinho e continua como um náufrago em alto mar. Mas bem distante, ele consegue perceber que há terra firme, mas teme ser apenas um delírio da sua mente já tão confusa.

Ele já não se encontra em si mesmo.
Busca refúgio nos seus versos; cheios de medo e dor...


Wilton Lima

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

CRÔNICAS DE UMA INSÔNIA #012

NOITES VAZIAS

São noites perturbadoras e ele se sente sozinho.

As lágrimas têm sido as suas melhores palavras, pois nem mesmo escrever, como outrora, ele consegue;
seus versos estão mudos!

[...]
E mais uma vez, ele mergulha naquele misto de sentimentos que volta a lhe prender ao medo e, lhe deixa como um náufrago perdido em alto mar; envolto em uma neblina tão forte que lhe fez perder o rumo.

São noites perturbadoras...

Ele tenta se encaixar no único refúgio que julga ter, buscando orientações para seguir o caminho mais fácil, na verdade, o caminho aceitável e mais cômodo; mas não para ele.

[...]
Muitos estão andando com ele e de braços dados até...
Lhe conduzindo ao fácil ou mesmo àquilo que o seu coração grita constantemente.

Porém, ele está sozinho, perdido e sem rumo!
E sua força se esvai.

O medo lhe tira o sono, aprisionando suas rimas e sufocando o mais belo dos seus sentimentos.

Ele nem mais o reconhece;
esqueceu seu sabor e sua fragrância se perde a cada passo arrastado que ele dá.

E os dias são difíceis para ele e, de decisões que teme fazer, mas que é preciso; ou não...

Tudo lhe diz que a solução é parar ou mesmo desistir dos seus sentimentos; desse complexo misto de sentimentos. Entretanto, têm sido sua base e sua constante busca por uma resolução; alguns diriam ser a sua válvula de escape!

São noites perturbadoras e ele, já sem forças, luta sem saber para onde ir e na incerteza se há de existir alguém que lhe estenderá a mão. Sem questionamentos e dúvidas, apenas lhe dá a mão!

Wilton Lima

quarta-feira, 24 de março de 2021

Nada será igual - entre o medo e a saudade


Os dias têm sido difíceis
De muita dor
Medo e de muita incerteza.

A distância se tornou quase obrigatória para muitos, porém necessária.

Há aproximadamente 1 ano, essa doença me distanciava de pessoas que vão sempre merecer um espaço especial e significativo na minha vida.

Uma saudade sem explicação me consome...
Até aquela rotina, que eu costumava reclamar, confesso que me faz falta!

Eu sei que não será igual...

As viagens à Sobral, naquele busão universitário quase sempre lotado, penso que vai ser um pouco diferente, mas durante a viagem eu voltarei a ouvir minhas músicas preferidas e os melhores podcasts.

O retorno as salas de aula será um momento nostálgico, como aquele primeiro dia na Universidade, com o coração cheio de sonhos para o futuro, com a esperança de construir laços de amizade no curso escolhido;

a vontade de voltar, abraçar com vontade e forte, só aumenta.

Mas não será igual!

Provavelmente, as reuniões entre amigos, as festas ou até mesmo aqueles papos descontraídos no Spetos Beer ou ali no anfiteatro da Praça Quirino Rodrigues, nossa Pracinha do Abrigo, não serão iguais;

a dor pelas milhares de mortes, algumas próximas a nós, vão sempre nos fazer repensar em como devemos gerenciar nosso tempo, como aproveitar cada momento dos nossos dias.

Um sentimento de vazio me consome quando lembro que ano passado não tivemos a nossa tradicional confraternização dos Nerds Jornalistas, sempre ali no Tako; e me dói pensar que corremos o risco de não tê-la esse ano.

Sinto uma dor por não poder ver e abraçar aqueles que me receberam como família quando cheguei em Sobral, ainda muito tímido e sem nenhuma amizade. Saudade dos almoços em família e das conversas sobre política e religião, momentos que me traziam muito aprendizado. E então, me envolvo no desejo de revê-los e conhecer os novos integrantes da família.

Há também, uma grande saudade daquela correria da segunda-feira; de chegar quase sempre atrasado na reunião geral do Time Enactus UVA Sobral e correr de um campus para o outro para conseguir pegar o RU ainda aberto ou mesmo das reuniões do Marketing na Padaria do Arco e de lá andar um bocado até o Betânia.

Essa correria faz falta.

Sinto mais ainda do convívio com o time, dos aprendizados de cada encontro, dos finais de semana na comunidade do Serrote do Piaba, da energia contagiante da Dona Rose, Dona Nonata, da Dona Edileuza, do Carlinhos, enfim, o SerTão Sustentável vai sempre fazer parte da minha vida.

E eu sinto falta de planejar meus finais de semana em Acaraú para reencontrar amigos queridos, mesmo sabendo que haverá algum imprevisto e eu não irei.
Há uma saudade daqueles que mesmo longe e em momentos improváveis permaneceram fieis a uma amizade construída lá em 2005 e são muitas as história de superação para contar. No entanto, Shakespeare já me alertou naquela época que "um dia a gente aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias" e nós comprovamos e estamos vivendo essa realidade.

Às vezes, quando eu paro e fico a pensar, bate um arrependimento de todas as oportunidades que deixei passar; de não ter falado o que eu deveria, de não amar mais, não cuidar como queria, de não dá atenção necessária ou simplesmente não ser e estar.

E olha que Shakespeare já havia me falado quando eu ainda tinha 14 anos, que devemos sempre nos despedir das pessoas que amamos com palavras amorosas e aproveitar cada momento com elas; pode ser a última vez que as vejamos.

E muita coisa mudou e não vai ser igual;

Talvez, quando tudo isso passar, eu aproveite com mais intensidade os momentos não planejados, assim eu valorizo ainda mais cada sorriso e cada olhar oferecido, até mesmo os mais tristes;

Mas eu sei que nada vai ser igual e é bom que não seja!

Wilton Lima

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

CRÔNICAS DE UMA INSÔNIA #011

FRAGMENTOS

Ele olha para trás e percebe que não tinha ao seu alcance, nenhuma solução e nenhum socorro ao seu dispor. Foi obrigado a viver e mergulhar no mais sombrio dos seus sentimentos;

e assim ele se perdeu;
se perdeu de si mesmo!

A memória de uma infância não vivida como deveria, vem à mente como um raio que acerta seu alvo sem nenhum temor das consequências ruins que ele trará.
E traz uma destruição tão grande que seu pensamento ultrapassa os limites conhecidos, mergulha no mais profundo e solitário dos seus sentimentos e lá, parece querer morar.

Porém, algumas vezes ele se depara com lembranças tão distantes, tão fora da realidade, que acredita estar apenas sonhando e que nunca chegou realmente a vivê-las.

Entre lapsos de memórias recentes, esse passado vem com expressões em detalhes, com momentos que paralisam seu pensamento. Acredita que não aproveitou com excelência as alegrias que são lembradas e possivelmente, seja este o motivo de paralisar nessas expressões de felicidade.

Mas nem todo momento é de prazer. Num instante de pausa, quando se deleita nas alegrias, veem as dores, os traumas que ele teima em dizer que não lhe machucam mais, que só fazem parte de um passado esquecido.

Junto, porém, vem os questionamentos.

Assim, ele se torna refém deste passado, enquanto memórias frescas insistem em não permanecer guardadas.
O cruzamento de sentimentos trazidos por essas expressões passadas, têm-lhe tirado o sono e o envolve numa insônia tenebrosa. O brilho dos sorrisos lembrados é apagado e ele não consegue identificar reação alguma para ter sido diferente.
Afinal, aparentemente era bom, era só uma escolha. Mas não, não era só isso, não se tratava apenas de escolhas.

Ele não sabe!

Novamente, se perde em seus pensamentos...
E hoje, sua luta diária tem sido essa: de combater seus monstros e o medo que lhe persegue a cada noite de insônia ou a cada minuto em que sua mente lhe trai e o faz se envolver com aqueles momentos que seu coração vive a lutar contra.

Olha para trás e vê um passado de muita dor. Algumas que o persegue até hoje. Então, ele olha adiante e se depara com seus temores e com as maiores incertezas, refletidas no misto de sentimentos que o envolve e lhe aprisiona na maior dúvida que já enfrentara.

Mas ele continua...

Wilton Lima

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O silêncio que incomoda

Eu moro em uma cidade pequena, com pouco mais de 11 mil habitantes, localizada a mais de 300km da capital Fortaleza.

Em março, quando surgiram os primeiros casos da Covid-19 no Brasil, temia-se muito por aqui que o vírus chegasse ao Nordeste e tão logo ao Ceará. E ele chegou e com muita força.
Eu via o desespero de alguns, bem poucos, quando as primeiras mortes eram confirmadas no Brasil. Porém, naquele momento estávamos todos muito apreensivos e com medo do que estava por vir.

Contudo, aos poucos me parecia que tudo ia se tornado normal aos olhos e sentimentos de muitos. Me traziam a sensação, de que para eles eram apenas números e pior do que isso, o sentimento de dor e compaixão não era transmitido, nem mesmo com números tão altos de casos confirmados e com milhares de mortes em todo país.

Hoje, já passamos de 114 mil mortes no Brasil e com mais de 3 milhões e 600 mil casos confirmados da Convid-19.

Por aqui, a sensação é que o vírus não existe e que a dor pela morte de mais de 114 mil pessoas é irrelevante. Isso é apenas um reflexo do que vemos no Brasil, onde seu líder tenta a todo custo minimizar essa grave crise que enfrentamos, pois, seus olhos estão fixos apenas para 2022.

Não sentimos a dor do outro, não nos importamos uns com os outros. Eu confesso que tento manter firme minha esperança de que tudo vai melhorar, não de voltar ao normal, pois nosso normal já era algo muito ruim.

É difícil, muito difícil!

Que possamos ser melhores, nos colocar no lugar do outro, ou tentar, pelo menos. Quem sabe assim, possamos sentir um pouco da dor que as famílias e amigos, das mais de 114 mil pessoas que partiram, estão sentindo nesse momento.

Isso é sobre ser gente. Saber amar e cuidar do outro! 
Podemos tentar?

Wilton Lima

segunda-feira, 13 de julho de 2020

CRÔNICAS DE UMA INSÔNIA #010

AS DORES DE UM POETA

O medo quase sempre nos faz parar, em algumas situações, até mesmo desistir.

Ele vive rodeado por este medo, porém, nunca ateve-se aos desafios, nem mesmo aos que nos pareciam impossíveis.

Durante muito tempo buscava-se a aceitação; ter esta aceitação e estar ladeado por pessoas que aparentemente eram necessárias à sua vida, sempre foi uma busca constante. Hoje, mesmo negando, por vezes, ainda se encontra nesse estágio de busca.

Lembra daquele primeiro naufrágio e das marcas que ele deixou? Pensamos que ainda há marcas com feridas abertas e, talvez sejam elas as responsáveis por tanto medo.

Mas como não perceber?
Como não deixar-se tratar?
Ele mesmo não consegue compreender!
E quase sempre, sua opção é parar.

O caminho se torna cada vez mais difícil.
Sua poesia sempre foi um refúgio. Porém, suas rimas perderam a cor, perderam a razão de ser e ter. E os versos continuam mergulhados no mais triste dos silêncios.

Cada um seguiu seu caminho. Não era o caminho planejado no início da jornada, nem mesmo era cogitado.

Aquele brilho no sorriso perde cada vez mais a sua intensidade. A suavidade do olhar, que alegrava e consolava, aos poucos se esvai e em tudo, nos parece ser o fim.

Mas como pode ser?

As dores precisam ser tratadas e mesmo que fiquem as marcas, e sempre ficam, aquela ferida necessita ser curada.

Os motivos são conhecidos e evitáveis, porém, algo nos impede de removê-los. Talvez seja o medo, ou mesmo a voz da razão nos dizendo para continuar no caminho que estamos. E mesmo debilitado, o coração resiste e nos aponta um caminho ainda mais difícil, com muitas pedras e barreiras a serem enfrentadas, mas o caminho nos aponta para uma liberdade com uma alegria tão bela e inexplicável, que só encontro sentido no seu olhar!

Ele precisa de forças. Pois ainda há muito caminho a ser percorrido, muitas decisões a serem tomadas, muitos acasos a serem vividos e tentar, simplesmente tentar compreender e continuar!

Wilton Lima

sexta-feira, 28 de junho de 2019

OS ÚLTIMOS VERSOS Parte 01

A morte seria a melhor solução? Não há outro caminho a seguir ou definitivamente não vemos um alternativo? 



Quanto mais tentamos seguir outro caminho, na direção não somente aceitável, mas na que nos fará sofrer menos com as recorrentes dores do arrependimento, nos faltam as forças para seguir ou mesmo nos falta a certeza que será melhor.

É recorrente o questionamento do porquê de tudo isso, da falta de forças para resistir a tudo; e o porquê de não dizer, simplesmente, um não para as inúmeras oportunidades que  nos surgem, ou ainda, porque não fugir ou não deixar, definitivamente, de buscá-las? 

Nos parece um caminho sem volta, eu sei!

Não há um recomeço sem dores a persistirem à dúvida, ao medo da queda e de um novo aprisionamento. O que, ou quem nos parece ser a solução, aparentemente se cala, ou meramente se afasta de nós. 

Sozinho eu não vou conseguir! 

Gostaria e simplesmente desejaria encerrar meus versos de um modo mais suave, com mais alegria e com um final mais leve e até com uma rima boba. Só queria encerrar bem. Sem culpas e sem dores tão fortes. 

Mesmo que o final dos meus últimos versos seja rimar meu afincamento com meu eterno silêncio. Mesmo assim não terminou bem. Talvez eu espere mais um pouco e um dia, perfeitamente, ela vem.

Talvez seja um adeus. Talvez seja o final de uma história, na verdade não sabemos ao certo para onde ir, nem como ir. Sem percebermos, nos perdemos um do outro ou perdemos um para ganhar o outro. 

Não sei. Realmente não sei!

Mas não quero dizer adeus.  Apenas nos  diga como seguir e eu posso nadar por nós dois nessas águas incertas, consigo enfrentar as mais altas ondas desse mar. Só não quero ouvir o seu adeus.

Assim, a mais bela e verdadeira rima irá nos encontrar. 
Nos trará a paz;
E finalmente, o coração irá repousar!

Wilton Lima

quinta-feira, 13 de junho de 2019

PERCEPÇÕES DE UM POETA

Nós concordamos em uma única coisa e disso tivemos a certeza nos últimos dias. Chegamos à conclusão de que seria melhor, bem melhor e menos doloroso seguir a voz da razão, mesmo com o coração gritando com toda força e sendo ele, quem detém o poder de toda decisão no momento.

Porém, outra solução deveria ser tomada antes de tentarmos mais uma trégua e assim, dá vez à razão. Deveríamos acabar com esse misto confuso dos sentimentos, porém, não encontramos uma saída plausível, nem mesmo aceitável por nós.

Então, percebi os motivos dos versos estarem mudos e o porquê de tê-los deixado em silêncio da última vez.

Era a razão criando forças e nos privando de externar o sentimento que nos confunde e nos embala ao ponto de acharmos que é o único e verdadeiro. Talvez seja, porém, trata-se de sentimentos e quanto a isso nada é concreto ou absoluto.

Percebi então, que há mais forças para resistir do que imaginávamos. Situações externas nos surpreendeu recentemente e deu ânimo para quem estava em desvantagem nessa guerra.

Mas eu sei que ainda estamos longe. Muito longe! Há muito para nos surpreender; alguns acasos irão surgir e irá novamente, movimentar as águas ainda turvas deste misto de sentimentos que ousa permanecer vivo.

Não conseguimos uma conciliação, mas já percebemos a sua necessidade.

Quanto aos versos, eles não estão mudos e sem rimas como antes. Não sabemos por quanto tempo, mas preferimos deixá-los em silêncio.

Wilton Lima

terça-feira, 11 de junho de 2019

INCERTEZAS DE UM POETA

Há um sentimento maior, que nos move e nos mantêm firmes no caminho.

O amor sempre me cativou e não canso expressá-lo. Porém, outros sentimentos fundidos a ele, me fizeram querer questionar alguns detalhes ou até mesmo não saber como e porque amar. 

Sim, nós sempre falamos disso: ame porque ama; escolha e espalhe o amor. Mas não, nós não mudamos esta nossa verdade, apenas passamos a questionar o porquê da escolha e se realmente é uma escolha. Indagamos o porquê de não escolher o mais fácil, ou mais cômodo, ou mesmo, o que foi proposto. 

Sabe aquela trégua? Dificilmente a teremos novamente. Aparentemente a temos, mas não, o coração grita forte e a razão tem perdido forças nessa luta, dia após dia. Não sabemos a direção correta, não sabemos dizer se uma delas é a correta, nem mesmo se há uma que não seja. 

Por algum momento a força do sentimento maior pareceu transparecer novamente, mas ao enxergar suas lágrimas e indecisões, a razão tentou resistir, criando forças de onde já não tinha. Mas era injusto! O coração mais uma vez saiu à frente nessa luta. 

A batalha está travada. Cada um com suas verdades, e intensidades de sentimentos tão semelhantes que nos parecem ser os mesmos, porém, como direções contrárias. Por isso, nesta luta não sabemos qual de nós irá vencer. 

Hoje, os versos quiseram gritar, procuravam de alguma forma encontrar algo para rimar. Mas era uma rima vazia, embalada pelo infausto desejo de agradar. 

Os mantive mudos! 

Não sei! Eu realmente não sei como será o final. Talvez os versos continuem mudos; talvez a força do silêncio prevaleça e provavelmente caminharemos entre mistos e conflitos de sentimentos. 

Ainda há muito que lutar e muito caminho a percorrer. Temos muitas decisões a tomar, muitos acasos a serem vividos e tentar, simplesmente tentar compreender. 

Wilton Lima

segunda-feira, 10 de junho de 2019

A MORTE DA HUMANIDADE

Vivemos dias difíceis, dias onde não se tem mais empatia pelo outro, quando não é levado em consideração a dor do próximo.

A cada dia o homem tem se tornado mais cruel, levado por um egoísmo inexplicável e amparado por uma ganância terrível. Não há limites para as consequências dos nossos atos, simplesmente para alcançar o que desejamos. Para nós e só para nós.

Chegamos a uma realidade que é mais fácil ou mais aceitável, julgar e condenar do que, ouvir e compreender as razões e motivações do envolvido. Colocamos como prioridade aquilo que julgamos ser o padrão para uma sociedade moralmente aceitável. Porém, quem definiu este padrão moral, quem disse ser o único e correto?

Vivemos dias em que não sabemos mais definir o que é santo e profano, quando nossa vontade é colocada em primeiro plano. Não sabemos a quem recorrer, humanamente falando, quando nossos líderes estão corrompidos pelo poder e aceitação das massas. Massas essas usadas como manobra. Não sabemos mais os lugares certos a frequentar, pois muitos estão sendo usados como palco para promoção do ódio e segregação. Palcos tidos por eles como sagrados.

Nos definem ideologicamente, quando defendemos o amor, a partilha e a compreensão; quando queremos apenas cuidar da dor do outro. Nos definem quando sentimos o desprezo, o preconceito e as mortes daqueles que não tiveram voz nesta sociedade.

É difícil. Está cada vez mais difícil!

Somos excluídos quando não nos moldamos aos padrões deles, ou quando queremos apenas ouvir e cuidar dos que são diferentes, daqueles que não têm opções. Talvez não precisem escolher, talvez devam apenas viver o que são!

Mas é difícil!

Em um mundo cada vez mais dividido e sem amor desinteressado, nossa única opção é resistir. Resistir por aqueles e com aqueles que não têm sua voz ouvida pelo poderosos.

Resistir também é amar. Amar é cuidar!

Wilton Lima

quinta-feira, 6 de junho de 2019

CRÔNICAS DE UMA INSÔNIA #009

INQUIETAÇÕES DE UM POETA

Os versos mudos se tornaram efêmeros diante deste misto de sentimentos que se fez em mim, ou se tornou apenas um reflexo do silêncio causado por eles.

Há uma batalha diária contra outra realidade, possivelmente criada e não compreendida. Sentimentos semelhantes, com intensidades e entregas similares, porém, com direções contrárias.

Não sei defini-los. Não sei dizer se há necessidade!

Me pergunto quem vai vencer, qual destes sentimentos será o mais forte.

Há uma solução que teimo em não compreender ou mesmo não saber seguir nesta direção. Afinal, o coração grita mais alto e a razão, tem perdido forças nesta briga com a emoção dos sentimentos. Realmente é uma luta injusta e totalmente incompreensível. O que esperar então, de reações externas?

Há soluções vindas de fora ou é uma decisão unicamente do indivíduo detentor destes sentimentos? O silêncio? O grito? Quais reações; quais seriam as decisões? O acaso ou uma escolha?

Indagações é o que nos restam.

Sim, os versos continuam mudos. Teimam em não querer concordar com o coração. Teimam em romper com o padrão.

Ainda não sei escrever este final. Não sei quais são as melhores palavras para isso.

Enquanto isso a única decisão racional e emocional do momento seria o silêncio, incompreendido e às vezes não aceito. Porém continuemos. 

Ainda temos muito caminho a percorrer, muitas decisões a tomar, muitos acasos a serem vividos e tentar, simplesmente tentar compreender.

Wilton Lima

sexta-feira, 19 de abril de 2019

FAÇA O BEM SEMPRE

Muitos, imbuídos pelo sentimento de caridade pertencente a certas datas do ano, como a Páscoa, Natal entre outras, tornam-se pessoas melhores e olham para o outro com mais atenção e um certo cuidado.

Não digo que isso seja negativo, pelo contrário, é louvável toda ação que nos leva a compartilhar do que temos, cuidar e a pensar que existem pessoas perto de nós que precisam de cuidados.

Porém, seria maravilhoso que este sentimento perdurasse por todo o ano, não em datas específicas. Há pessoas e muitas pessoas, que às vezes não precisam só do alimento, mas de atenção e precisam ser ouvidas. E nós, na nossa correria e egoísmo diário não temos dado a real importância para a dor e fragilidade dos que nos rodeiam.

Seria marvilhoso que o sentimento de fazer o bem fosse uma atitude diária e que se tornasse uma cultura pessoal.

Minha oração é para que o amor verdadeiro esteja sempre fervendo em nossos corações. Que a vontade de ajudar e dar a mão ao próximo seja algo rotineiro e prazeroso.

Que Deus possa reger nossos passos e ações.

Deveriam existir mais sextas-feiras santas e muitos mais dias sagrados no ano. O mundo seria bem melhor de se viver.

Pare, ouça, compreenda e ame!

Wilton Lima

quinta-feira, 18 de abril de 2019

MAIS UM DE AMOR


Por falar tanto sobre o amor eu me torno chato! Porém, não me canso de acreditar e dizer que a solução para tudo é amar e amar incondicionalmente. 

Os dias são difíceis e cada vez mais nos tornamos descartáveis. Deixamos pessoas e sentimentos em segundo plano, pela valorização do poder e posição social. 

Eu entendo que escolher amar quem aparentemente não merece nosso amor é uma decisão muito difícil, para alguns até impossível, o que eu não consigo entender são aqueles que se dizem seguidores de Jesus e simplesmente não fazem nada por aqueles que precisam, ou fazem muito pouco.

São milhares de negros mortos todos os dias no Brasil e mulheres que são espancadas, estupradas e mortas a todo instante. Os muitos gays, lésbicas ou qualquer um, que não tenha o padrão desejado por aqueles que se dizem lutar pela família, moral e bons costumes, eles são mortos como se suas vidas não tivessem a mesma importância pra Deus. 

Vivemos dias difíceis. O amor é esquecido e não cuidamos mais uns dos outros, não nos importamos com a dor do outro, não queremos nos envolver, nem mesmo ouvir. 

Que possamos, nós que dizemos ser, amigos de Jesus e seus seguidores, aprender na prática o que ele mesmo nos ensinou, com o seu próprio exemplo. 

Amar como Jesus nos amou. É só através deste amor que seremos reconhecidos como seus discípulos. Caso contrário nada valerá à pena. 

Escolha amar simplesmente por amar. Pare, ouça, compreenda e cuide. 

Seja amor, viva o amor! 


Wilton Lima

terça-feira, 9 de abril de 2019

SINGULARIDADE DA DOR

Vivemos e somos de uma geração depressiva!

A cada dia ouvimos relatos de suicídios, muitos deles de jovens que enfrentaram a dor e solidão de uma depressão. Muitos levados pelo desejo de findar este sofrimento, acabam dando fim as suas vidas.

E nós, o que temos feito? Como reagimos e como nos envolvemos com tais casos?

Eu porém, não posso mensurar a dor do outro. Cada um sabe da sua, sabe seus motivos e vivem suas consequências. As minhas certamente são diferentes das suas. Então porque julgar? Porque queremos dizer os motivos da dor do outro sendo que não somos nós que as sentimos?

Todos nós, independente de sua classe social, da cor de sua pele ou do quanto você é politizado, não importa, todos nós passamos por momentos em que nos sentimos desanimados, às vezes rejeitados e excluídos. Muitos por não terem uma estrutura emocional firme e equilibrada, mergulham numa profunda depressão.

Cuidar!

Precisamos ser amor. Precisamos encarnar o amor e mergulhar como gente que cuida de gente, que ama e abraça a dor do outro, sem acusões fúteis.

Precisamos, além de tudo, entender que não importa como e porque chegaram até uma depressão e como se envolveram com esta dor. Simplesmente não importa no momento.

Apenas ame e cuide!

Já basta a dor da solidão, a angústia da não aceitação, não precisam do seu julgamento. 

Paulo ao escrever aos romanos, ensina àqueles que são mais fortes, a suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a si mesmos (Romanos 15.1). Nem Cristo agradou-se a si próprio, porém, antes levou nossas dores e fraquezas, as suportou e é assim que devemos proceder com os mais fracos, se estivermos mais fortes.

Pare e ouça o outro. Ajude-os nas suas fraquezas e não julgue as suas dores.

Sejamos amor, cuidado e compreensão em um mundo entregue a dor do desprezo e da solidão.

Ame Mais!
Julgue Menos!

Wilton Lima

ATÉ QUANDO?

Assistindo alguns programas na televisão, minutos atrás, não tive como não me encher de um sentimento de incapacidade e impotência diante do fato de não podermos ou de não estarmos condicionados a fazer algo, a reagir. 

Nada fazemos quando alguém desnorteado, bêbado e irresponsável provoca um acidente de carro. É só uma fatalidade, como sempre e corriqueiramente acontece... 

Nada quando rios de dinheiro público (nosso dinheiro tão suado) são desviados para fins não públicos, mas pessoais e o pior, por aqueles que pomos como nossos representantes e a quem concedemos poder. 

Nada quando nossas florestas são invadidas por fazendeiros, madeireiros e garimpeiros, quando o fogo as consome e nossos índios são mortos quando submetidos a vírus do homem, do pobre homem que sob a ganância dos soberbos e ricos rumam uma trajetória triste, muitas vezes escrava e que envergonha nosso país no seio da terra ou em acampamentos rudimentares. 

Nada quando milhares de quilômetros de matas são ameaçados pela necessidade de energia que o Brasil precisa para crescer. Mesmo quando pomos em risco a biodiversidade e povos locais. O que falar de Belo Monte? 

Nada quando alteram as dezenas de PLs de um código florestal que não assegura continuidade à proteção já tão imperceptível. 

Nada, nada fazemos. 

Nada fazemos quando vemos propagandas pouco confiáveis revelando que a Educação deu um salto nos últimos anos e testemunhamos o fracasso e escassez de mão de obra em nossos postos de trabalho; quando os professores são confundidos com salteadores, até por necessidade para ver se alguém olha e diz: “Poxa, eles merecem sim um aumento de salário, merecem respeito!”. Quem vai esquecer dos últimos dias de greve dos professores estaduais do Ceará? Poucos lembrarão ano que vem! 

Nada fazemos quando estamos em algum terminal e mesmo sob o estresse daquela aglomeração das “latas de sardinha” (os ônibus), surge alguma mãe com uma criança pendurada nos peitos moles sugando o que resta de leite. No máximo nos compadecemos e damos poucos centavos, enquanto na TV e mídias em geral, os governos querem criar uma realidade boba de “está tudo bem”. 

Nada fazemos quando vemos a morte nas filas de espera nos hospitais sucateados e de profissionais mal remunerados. 

Nada fazemos até vivenciarmos o caos e descobrimos a triste tônica desta vida: existem aqueles que montam e aqueles que são montados. 

Até que ponto nos deixamos montar? Até qual momento vamos fingir que está tudo calmo? 

Resposta: até o momento em que de fato fomos direta e pessoalmente afetados. 

Temos muito a aprender. Muito a empreender. Mas enquanto não focarmos em sermos melhores humanos, em nada obteremos êxito. Todos os esforços serão nulos.


Ignácio Albuquerque

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Crer e Pensar #010

SOU CRISTÃO APESAR DA IGREJA - Parte 02

Eu aprendi a pensar. Aprendi a crer, sem ausentar o meu pensar.

Não foi uma escolha fácil, muito menos aceitável por todos que faziam parte daquela igreja.

Eu me recordo de um domingo, mais precisamente em uma sala de aula da Escola Bíblica, onde pude ver nos professores que tive, um pensamento mais amplo sobre o Cristianismo, sobre como cuidar das pessoas mais de perto, sobre como verdadeiramente amar, sem importar-se com quaisquer diferenças. Claro que não foi aceitável aos meus olhos de imediato, pois estava enraizado em mim um pensamento muito conservador.

O despertar por novas leituras, de autores desconhecidos até então por mim, contribuíram bastante, também, para que me fossem abertos os olhos para uma nova realidade. A realidade ao Puro, Simples e realmente, ao Verdadeiro Cristianismo.

As aulas na Escola Bíblica me ajudaram a pensar fora daquilo que estava proposto, fora dos padrões pré-estabelecidos pela religião.

E o que era proposto, quase sempre me vinham os questionamentos, algo não muito aceito pelas lideranças desta igreja, que têm em seus pastores sempre a palavra final, quase sempre inquestionáveis. Sendo contrário, você é sujeito a repreensões, como o afastamento da comunhão com a comunidade cristã em questão, como não te deixar participar de muitas reuniões realizadas na igreja. Quando se é jovem, as limitações são ainda maiores.

Aos poucos, tais práticas não tinham mais sentido pra mim, agora um pouco mais questionador e que passei a enxergar um evangelho mais cheio de amor e compaixão, que une ao invés de excluir.

Com isso, porém, a caminhada cristã continuava mais difícil e com muitos desafios.

Ainda não era hora de romper com aquela igreja, apesar do desejo e necessidade aparente. O que me mantinha firme, ainda, era ver a luta constante de outros, que andavam na contramão de toda a repressão e exclusão implantadas por àqueles que só viam o seu próprio lado e que era, pra eles, mais fácil julgar as falhas e tropeços dos que estavam abaixo, hierarquicamente.

Eu ainda iria me envolver com a Igreja Local de forma mais intensa. Em trabalhos com adolescentes na Escola Bíblica, no Discipulado, no trabalho com Missões, que sempre me enchia os olhos. Tudo contibuiu é claro, para meu crescimento enquanto cristão que ama e busca a unidade.

Foram mais ou menos dois anos de muito trabalho espontâneo e com muita lealdade as raízes.

As amizades foram fortalecidas e me ajudavam a prosseguir. O desejo já era de continuar, mas passaria!

As limitações comecaram a aparecer. As diferenças não eram aceitas. Mas eu continuei. Eu deveria continuar.

Wilton Lima

quinta-feira, 28 de março de 2019

Crer e Pensar #009

SOU CRISTÃO APESAR DA IGREJA - Parte 01


Eu nasci e me criei em um lar cristão evangélico. Fui doutrinado em uma igreja de costumes bastante conservadores e nela permaneci, atuante, até os meus 24/25 anos de idade. 

Pelos ensinamentos e exemplos que tive, eu tinha medo de dizer o que eu pensava. Não ousava formular uma crítica a respeito de qualquer coisa. A palavra do pastor era sempre a final. 

Aos 15 anos eu sai de casa pela primeira vez e fui morar com um tio em outra cidade e lá, tive contato indiretamente com pessoas de outras igrejas, com pensamentos e costumes diferentes, mas ainda assim me mantive fiel ao que aprendi. 

Um ano depois retornei à minha cidade, um pouco mais conservador do que antes. 

As coisas só iriam mudar um pouco, quando aos 18 anos fui morar em uma cidade maior. Continuei nesta mesma igreja, onde cresci muito em conhecimento. Conheci pessoas com ideias de um cristianismo muito diferente daquele que me foi apresentado desde a infância. Aprendi a desenvolver um cuidado maior com as pessoas, a ouvir mais as dores do outro. Entendi que meu pensamento não deveria ser totalmente ligado ao céu e que eu precisava entender que existiam muitos ao meu redor, precisando de amor e atenção. Entendi que mesmo não sendo deste mundo eu estava nele e assim, deveria fazer alguma diferença. 

E a caminhada na vida cristã continuava. 

Agora, com mais questionamentos, com vontade de compreender e não de apenas ouvir e aceitar o que era dito. 

Porém, questionar não era uma decisão aceitável por muitos, mas calar meus argumentos não era uma escolha minha. 

Era difícil ser quase sempre a pessoa que não concordava. Era difícil manter minha voz calada. 

Entendo que a igreja, como comunidade religiosa, seja necessária na vida de uma pessoa. E fui aprendendo, aos poucos, com muita dificuldade e muita dor, que as igrejas eram falhas, que eram lideradas por homens, muitas vezes donos de uma verdade absoluta e inabalável, às vezes por causa de uma história construída, mas que eram falhos como qualquer um de nós. 

Não foi fácil aceitar que eram muitas as mentiras contadas, que eram muitas as dores camufladas. 

Eram agora, muitos os questionamentos e muitas dúvidas. Minha crítica então, se tornava cada vez mais forte. 

Ícones eleitos por mim durante a infância e começo da adolescência, eram desconstruídos quando se abriu a fonte de um conhecimento maior. Quando eu mesmo ia até a fonte em busca da verdade. 

Eu não guardo mágoas ou mesmo traumas de igrejas onde passei e congreguei. Me alegro pela família de amigos que construí e que os tenho comigo até hoje. 

Porém, foram muitas as dores e feridas causadas pela igreja, com marcas de cicatrizes permanentes. 

Eu aprendi a pensar. Aprendi a crer, mas não ausentando o meu pensar. Aprendi com Paulo que hoje é racional o meu culto, que é autêntico e livre o meu falar com Deus, que meu único mediador é Jesus, meu único consolador é o Espírito Santo e que Deus, somente Ele é o único que pode perdoar os meus pecados. 

Apesar de tudo, minha alma sobreviveu, como diz Philip Yancey. E continuo nesta caminhada.

Sim, sou cristão, apesar da igreja e daqueles que a lideram.


Wilton Lima

segunda-feira, 18 de março de 2019

UM COMEÇO PARA ESQUECER

Ainda estamos em março de 2019 e já é um ano que queremos nos despedir, urgente!

É difícil externar algo diante de tantas atrocidades que vivenciamos nesses primeiros meses do ano.

Brumadinho e Suzano, dificilmente sairão das nossas memórias. Casos distintos, mas que envolvem a falta de amor e cuidado; que mostram o desprezo e a falta de compaixão do homem.

A ganância matou centenas em Brumadinho, deixou outras centenas de luto. O ódio matou o sonho de alguns adolescentes em Suzano, deixou milhares em choque, com medo. Eles destruíram famílias e deixaram o país em lágrimas.

Lágrimas que diante de tanta crueldade não querem cessar e não me deixam expressar outro sentimento que não seja repúdio ao que temos feito enquanto sociedade, enquanto pessoas.

É difícil dialogar em meio a falta do amor, da falta de empatia pelo outro.
Difícil aceitar que tentam simplificar toda a dor ou até mesmo levá-la a um nível de "espiritualidade" ultrajada pela busca dos bons costumes, pela segurança e poderes individuais que atropelam, sem nenhum pudor, a vez do próximo.

É difícil viver em uma sociedade que não quer ser receptível ao seu semelhante. Pessoas que não amam pessoas. Que alimentam apenas um ego próprio.

É difícil!

É difícil ver que aqueles que deveriam externar o amor daquele que eles se dizem ser seguidores, não o fazem. Eles têm mais afastado as pessoas da verdade do que trazê-las a realidade no amor verdadeiro, onde não há diferenças, onde não há sacrifício para alcançá-lo, apenas amar e viver este amor.

Não existe solução maior, para resolver tudo isso que estamos presenciando e sentindo.

É difícil!

Porém, precisamos erguer nossa voz, reavivar nossa esperança, acreditando em dias melhores e lutando com amor contra o ódio que se espalhou em nossa nação. Resistindo e sendo a força daqueles que a perderam, ajudando-os a se reerguer para continuar a caminhada difícil que temos à frente.

Juntos e unidos. Vivendo, espalhando e sendo amor com todos e para todos, sem diferenças, apenas no amor!

Seja amor. Espalhe o amor!


Wilton Lima

quinta-feira, 14 de março de 2019

ADORAÇÃO CONTRADITÓRIA

Houveram certos momentos na minha vida em que me indaguei muito acerca de algumas coisas que me aconteceram. Acho que isso acontece com todas as pessoas que passam por momentos de conflitos e dúvidas.

Cheguei a sentir raiva de mim mesmo por algumas atitudes e feitos errados. Me culpava muito e não conseguia me perdoar!

E isso doía bastante!

Se já é difícil você perdoar o outro, torna-se mais difícil quando você não consegue perdoar a si mesmo. 

Cheguei ao momento de querer saber o motivo de tanto sofrimento e indagar até Deus o motivo de estar permitindo que coisas do tão ruins acontecessem comigo.

No momento da luta e de tanta dor, chega ser difícil acreditar que Deus está conosco. Pois tudo dá errado e como humanos, fracos como somos, queremos sempre o contrário. 

Não é fácil aceitar ou mesmo compreender as dores momentâneas.

É difícil entender o que Paulo diz na sua carta a Igreja em Roma, de que todas as coisas cooperam para o bem de quem ama a Deus, mesmo os momentos de dores (Romanos 8.28). 

Mas são nesses momentos que Deus quer ver nossa fidelidade e confiança nele.

Adorar a Deus quando as contas estão pagas, quando sobra dinheiro ao final do mês, quando todos os amigos estão pertos, quando temos saúde e tudo vai bem, é muito simples. 

Quando acontece o contrário, a adoração de muitos se esvai. 

Paulo declarou ter aprendido a adorar em todo momento. Estando alegre e estando triste, estando saudável ou doente, com dinheiro ou sem dinheiro! 

Podemos até querer saber o motivo da dor, da desgraça que sobreveio em nossa vida ou mesmo nos culpar por elas terem acontecido. As pessoas podem até dizer que foi culpa nossa e que o motivo de tanta dor, é o nosso pecado. 

Até mesmo nossa família pode se voltar contra nós!

Temos que manter firme nossa adoração!

E não existe exemplo maior que o de Jó. É totalmente contraditória sua adoração a Deus. Contraditória em relação ao que ele estava vivendo e ao que seus amigos e sua mulher lhes diziam.

Ele adorou a Deus em meio a toda dor que sentia!

Que sua dor e seus conflitos não te impeçam de ser grato a Deus! 

As lutas também são grandes motivos para adorar e agradecer. 

Na verdade, o maior motivo da nossa adoração, é a nossa existência!

Sejamos como Paulo e vamos ser gratos. Gratos por tudo (1 Tessalonicenses 5.18).


Wilton Lima

terça-feira, 12 de março de 2019

CRÔNICAS DE UMA INSÔNIA #008

MARCAS DO PASSADO

Existem momentos que marcam uma vida inteira, seja de forma positiva ou negativa.

Algumas vezes eles marcam tanto que não conseguimos nos desligar com tanta facilidade. Por isso, não conseguimos viver com intensidade o presente que nos é oferecido. Vivemos, então, de forma superficial e muitas vezes frustrada.

Não é fácil esquecer o que passou, ainda mais quando deixa marcas.

E as marcas sempre nos fazem lembrar do passado. Existem as marcas deixadas por pessoas que passaram na nossa vida e existem as deixadas por nós mesmos, essas são as mais difíceis de esquecer e aceitá-las.

Sempre esquecemos da nossa estrutura, esquecemos que somos pó, que somos falhos, que nós somos humanos e consequentemente, não somos perfeitos.

Ninguém nunca chegará a sua velhice sem nenhum arrependimento. Ninguém nunca ousará dizer: "Em nada me arrependo". Por mais que as palavras digam uma coisa, o coração acusará outra.

Então, o fim é necessário para que haja um recomeço. É necessário colocar um ponto final no passado que nos aflige, nos fazendo infelizes.

Por experiência própria, sei que não é fácil agir assim. Existem as marcas e elas insistem em trazer à memória o que aconteceu. São elas que me ajudam a lembrar daquilo que não me fez e nem fará bem.

É preciso superar o passado para assim, ser feliz. Enquanto continuarmos alimentando, com pensamentos, o que fizemos ou nos fizeram, viveremos frustrados.

Algumas marcas somem naturalmente com o tempo, outras ficarão por toda a nossa vida e elas devem servir de exemplo, de encorajamento e vontade de seguir em frente e não como um instrumento de dor e sofrimento.

Que possamos fazer dos momentos vividos, os bons e ruins, experiências para os novos desafios que nos esperam à frente.

Jesus nos orientou a ter força e bom ânimo diante das lutas e tribulações que viriam sobre nós (João 16.33) e São Paulo nos alegra com a carta que escreveu a igreja em Roma, com essas palavras: "E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Romanos 5.3-5).

Eu sei que não é fácil, mas é possível.
Dói, mas é suportável.

As lutas virão. Momentos ruins virão. Vamos errar muito, cairemos, nos decepcionaremos, nos magoarão, mentirão sobre nós e até, nos abandonarão!

Porém, frente a tudo isso devemos ter a certeza de uma coisa, Jesus Cristo será sempre nosso Guia e único referencial, um verdadeiro e fiel amigo!


Wilton Lima