Mostrando postagens com marcador Reforma Protestante. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reforma Protestante. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

PERDIDOS DE SI MESMOS - Parte 01

Eu vejo o povo perdido em meio a um deserto. Deserto de cultura, de arte e o mais doloroso: deserto pela falta do amor. Liderado ainda, por pessoas com um coração voltado ao egoísmo e amor ao poder.

Na política ou na religião? Já não sei mais diferenciar; já não sei nas mãos de quem o poder estar.

A cada novo dia e a cada novo discurso, me vejo imergindo em um passado que não podíamos ser diferentes do que a Igreja propusera como padrão, de conduta e comportamento. Alguns, por serem contra e só, por serem e pensarem diferente, foram levados à fogueira ou simplesmente excomungados e tirados do convívio com aqueles que se diziam escolhidos de Deus, um deus vingativo e opressor, aparentemente.

Parte da igreja, dissidente daquela que lutou e morreu com a chamada Reforma Protestante, volta às suas origens, onde nem a própria à época, se vê mais lá.

A busca obsessiva pela aceitação transformou-se também, na luta por estar no centro de toda e qualquer decisão de um país dito laico, mas que não respeita uma adoração diferente ou mesmo demonizam os que pensam contrário da fé aceitável.

Eu vejo um povo totalmente perdido e que acredita estar trilhando o caminho ensinado por Cristo. Porém, Jesus não nos ensinou a amar o outro como Ele mesmo nos amou? Não perdoou aqueles que o mataram? Eu vejo um povo perdido! 

Os tronos voltam a ser erguidos e neles estão homens e mulheres tão opressores quanto àqueles que condenaram e mataram Jesus.

Eu vejo um povo perdido...

Os muros que separavam, outrora derrubados, tentam erguer-se ao poder de quem já sabe mais o que é o amor. As lutas por igualdade e direitos são para eles insignificantes e nos colocam novamente às margens, ou estão tentando. 

Os poderosos ultrajados de misericórdia, apenas aprisionam o povo já perdido em sua fé e dele sugam toda e qualquer esperança e força.

Perdidos...
Estamos perdidos.
Há quem nos socorrerá?
Em quem podemos esperar?

A luta não tem sido fácil, há de tornar ainda mais difícil. Porém, precisamos resistir a toda forma de opressão e exclusão àqueles que pensam, agem e são diferentes ou simplesmente são o que são. Uns pelos outros e amando uns aos outros com suas diferenças e particularidades.

Wilton Lima

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Crer e Pensar #012

SOU CRISTÃO APESAR DA IGREJA - Parte 03


Nasci e me criei dentro de uma cultura cristã evangélica. Passei minha adolescência de forma atuante e envolvido nos trabalhos desenvolvidos pela igreja a qual eu fazia parte. 

Por volta dos meus 18 anos comecei a questionar de forma incisiva o comportamento da instituição e principalmente daqueles que a lideram, estadual e nacionalmente e junto, claro, veio o desprezo por parte de alguns. Afinal, ir contra o que estava proposto sempre foi inadmissível naquela instituição, em algumas ainda continua sendo. 

[...]
Eu cresci ouvindo que não podíamos discordar da palavra do pastor. Era algo que sempre me incomodou, mas me mantinha fiel a esta regra. Quando passei a ter consciência de um evangelho puro e simples, através das leituras diferentes das que me eram apresentadas, entendi que o homem não só complicou a realidade do amor de Jesus por nós, como mercantilizou-o absurdamente. O que nos era dado pela graça de Deus, de forma abundante e inexplicável, agora era uma recompensa ao que eu fazia enquanto servo de uma igreja e como obedecia às ordens dos seus líderes.

Muita coisa deixou de fazer sentido para aquele jovem questionador!

A igreja que antes protestava e dava a mão ao necessitado, acolhendo e abraçando em suas angústias, agora se torna cada vez mais parecida com aquela em que rompeu séculos atrás. Vendendo as bênçãos e o perdão. Cobrando, absurdamente, dos fiéis que desejam fazer parte daquele rebanho.

Hoje, eu vejo uma igreja mais preocupada com sua participação efetiva na política (não que isso não deva acontecer) do que sua participação para minimizar os traumas sociais que vivenciamos todos os dias. Os milhares de negros e homossexuais que são mortos no Brasil não é pauta nas lutas da igreja. Milhares de mulheres espancadas e mortas por homens que se sentem seus donos não incomoda os líderes dessas igrejas. Não vejo uma participação efetiva de líderes religiosos, que têm a força da mídia e a força de igrejas milionárias, na luta contra o abuso sexual das crianças no Nordeste do Brasil. Eu não vejo, algumas dessas igrejas, preocupadas com má distribuição de renda no nosso país. Não, eles não se incomodam!

Eu vejo líderes mais preocupados com aquilo que eles chamam de moral e bons costumes, ao ponto de ultrapassar os limites do amor, do cuidado e da compreensão. 

Eu vejo igrejas que esqueceram do amor verdadeiro ensinado por Jesus. Eu vejo igrejas que esqueceram do próprio Jesus, que dizem manchar por Ele, mas que estão sem Ele.

Apesar de tudo e da igreja eu ainda acredito no amor verdadeiro de Jesus, no seu Evangelho Puro e Simples, que ama e acolhe a todos. 

Que nossa busca diária seja esta: andar como Jesus andou e amar como Ele mesmo nos amou, só assim seremos verdadeiramente conhecidos como seus seguidores (João 13.34 e 35).

Wilton Lima

quinta-feira, 28 de março de 2019

Crer e Pensar #009

SOU CRISTÃO APESAR DA IGREJA - Parte 01


Eu nasci e me criei em um lar cristão evangélico. Fui doutrinado em uma igreja de costumes bastante conservadores e nela permaneci, atuante, até os meus 24/25 anos de idade. 

Pelos ensinamentos e exemplos que tive, eu tinha medo de dizer o que eu pensava. Não ousava formular uma crítica a respeito de qualquer coisa. A palavra do pastor era sempre a final. 

Aos 15 anos eu sai de casa pela primeira vez e fui morar com um tio em outra cidade e lá, tive contato indiretamente com pessoas de outras igrejas, com pensamentos e costumes diferentes, mas ainda assim me mantive fiel ao que aprendi. 

Um ano depois retornei à minha cidade, um pouco mais conservador do que antes. 

As coisas só iriam mudar um pouco, quando aos 18 anos fui morar em uma cidade maior. Continuei nesta mesma igreja, onde cresci muito em conhecimento. Conheci pessoas com ideias de um cristianismo muito diferente daquele que me foi apresentado desde a infância. Aprendi a desenvolver um cuidado maior com as pessoas, a ouvir mais as dores do outro. Entendi que meu pensamento não deveria ser totalmente ligado ao céu e que eu precisava entender que existiam muitos ao meu redor, precisando de amor e atenção. Entendi que mesmo não sendo deste mundo eu estava nele e assim, deveria fazer alguma diferença. 

E a caminhada na vida cristã continuava. 

Agora, com mais questionamentos, com vontade de compreender e não de apenas ouvir e aceitar o que era dito. 

Porém, questionar não era uma decisão aceitável por muitos, mas calar meus argumentos não era uma escolha minha. 

Era difícil ser quase sempre a pessoa que não concordava. Era difícil manter minha voz calada. 

Entendo que a igreja, como comunidade religiosa, seja necessária na vida de uma pessoa. E fui aprendendo, aos poucos, com muita dificuldade e muita dor, que as igrejas eram falhas, que eram lideradas por homens, muitas vezes donos de uma verdade absoluta e inabalável, às vezes por causa de uma história construída, mas que eram falhos como qualquer um de nós. 

Não foi fácil aceitar que eram muitas as mentiras contadas, que eram muitas as dores camufladas. 

Eram agora, muitos os questionamentos e muitas dúvidas. Minha crítica então, se tornava cada vez mais forte. 

Ícones eleitos por mim durante a infância e começo da adolescência, eram desconstruídos quando se abriu a fonte de um conhecimento maior. Quando eu mesmo ia até a fonte em busca da verdade. 

Eu não guardo mágoas ou mesmo traumas de igrejas onde passei e congreguei. Me alegro pela família de amigos que construí e que os tenho comigo até hoje. 

Porém, foram muitas as dores e feridas causadas pela igreja, com marcas de cicatrizes permanentes. 

Eu aprendi a pensar. Aprendi a crer, mas não ausentando o meu pensar. Aprendi com Paulo que hoje é racional o meu culto, que é autêntico e livre o meu falar com Deus, que meu único mediador é Jesus, meu único consolador é o Espírito Santo e que Deus, somente Ele é o único que pode perdoar os meus pecados. 

Apesar de tudo, minha alma sobreviveu, como diz Philip Yancey. E continuo nesta caminhada.

Sim, sou cristão, apesar da igreja e daqueles que a lideram.


Wilton Lima

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Crer e Pensar #007

DE VOLTA AO VERDADEIRO E PURO CRISTIANISMO - Parte 2

A Igreja Evangélica Brasileira tem se tornado uma espécie de Igreja Romana dos tempos antes da Reforma Protestante, onde as pessoas não tinham o direito de ter uma opinião e pensar diferente do Papa. Tais atitudes contra a soberania da Igreja Romana, poderia causar a excomunhão de quem ousasse questionar a autoridade papal.

Na igreja evangélica não existe um papa. Porém, existem certos pastores, bispos ou apóstolos que usufruem da mesma autoridade que o papa tinha na Igreja Romana antes da Reforma. Tentam fazer com que os fiéis acreditarem que eles não podem ser questionados por serem os “ungidos de Deus”. Sendo assim, colocam as suas comunidades sempre abaixo de suas palavras. E quem ousar ir contra elas, corre o risco de punições divinas.

É lamentável ver o que estão fazendo em nome de Deus!

É lamentável ver muitas comunidades evangélicas jogar o verdadeiro Evangelho de Jesus no lixo e tentar calar a voz de quem ainda luta por um Cristianismo Puro e Simples.

Para os seguidores deste evangelho fabricado, quem critica e não se cala diante da bagunça que está formada dentro das igrejas, é considerado desviado, um herege, ou simplesmente um rebelde.

Eu já ouvi muito isso!

Sim, é mais cômodo ir com a multidão, seguir o que está dando certo, acreditar na palavra do profeta e não examinar as de Deus. 

Mas cuidado, nem tudo que dá certo, está certo!

Assim como a Igreja Romana tentou calar a voz de Lutero e de muitos outros Reformadores, hoje a igreja que prega o evangelho fabricado tenta calar a voz da Verdadeira Igreja de Cristo, que luta contra as heresias pregadas por estes homens.

Paulo nos orienta a pregar o Evangelho a todo tempo, mesmo quando parece que não é tempo.

Não podemos deixar que calem nossa voz. Continuemos firmes, orando ao Senhor e vivendo uma vida piedosa, amando o nosso próximo, escutando, compreendendo e ajudando aos que precisam, essa é a essência do verdadeiro ensinamento de Cristo.

Continuemos a anunciar o Verdadeiro, Puro e Simples Cristianismo. Mesmo que isso nos traga dor, isolamento e desprezo.

Só a Deus, a Glória.

Wilton Lima

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Crer e Pensar #006

DE VOLTA AO VERDADEIRO E PURO CRISTIANISMO - Parte 01

É lamentável ver muitas pessoas que deveriam pregar o verdadeiro Cristianismo, distorcerem tanto, o real sentido do que está escrito.

É lamentável, quando usam o púlpito como trampolim ministerial e até eleitoral.

O Brasil é hoje quase um país evangélico. Segundo o último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010, temos mais de 40 milhões de evangélicos declarados no país. Porém, a igreja tem formado seguidores raquíticos, famintos pelo verdadeiro Evangelho.

Nos nossos púlpitos não se pregam mais a Mensagem da Cruz, não se falam mais em arrependimento ou santificação. O homem passou a ser o centro da mensagem. O que se ouve, são palavras de efeitos. Pregações de prosperidades, curas e vitórias, mediante sempre a um sacrifício, anulando assim o maior sacrifício que foi a morte de Cristo.

O genuíno avivamento foi trocado por manifestações bizarras que em nada condizem com o verdadeiro agir do Espírito Santo: cair no espírito, unção do riso, unção do leão, unção do cachorro e tantas outras invenções ridículas, que para alguns líderes caracteriza uma igreja avivada.

Igreja Pentecostal e comprometida com a Palavra não é aquela que os crentes saem correndo atrás de anjos, imitando animais, rindo descontroladamente, caindo ao sopro de pseudos profetas, rodopiando igual pião ou fazendo aviõezinhos. Isto na verdade, caracteriza uma igreja vazia e sem ensinamento do Puro e Simples Evangelho de Cristo. São igrejas em que a emoção é colocada acima da razão.

A Palavra de Deus é tão completa e suficiente que não há necessidade de invenções e complementos! 

Ela é simples. Basta ensiná-la e vive-la. 

Viver o Simples e Puro Cristianismo, sem complicações, sem pressões, sem acusações, sem exigências humanas, sem dogmas e costumes que não edificam. 

Estou farto de ouvir pregações vazias... Estou farto de movimentos! 

Esse é o meu clamor diário: que se pregue apenas a Palavra! 

Quero ver a Evangelho da Cruz sendo novamente pregado nos nossos púlpitos, mesmo que isso resulte na diminuição absurda de fieis nos templos. 

Que a nossa busca, seja agradar a Deus e não o homem.

Voltemos o mais rápido ao que é Puro e Simples! 

Só a Deus, a Glória.

Wilton Lima

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Crer e Pensar #004

LIBERTAÇÃO DA IGREJA BRASILEIRA 

Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará! (João 8.32). Mais claro que isso é impossível. Só através do conhecimento da verdade é que nos libertaremos do mal que nos aprisiona.

Infelizmente, a igreja evangélica brasileira vive uma prisão que a cada dia nos parece ser ainda mais reforçada. 

A prisão da idolatria ao homem. A busca pela fama, pelo dinheiro e toda sorte de heresias plantadas em todo o Brasil. A teologia da prosperidade, por exemplo, tem ganhado mais seguidores, seguidores estes que antes pregavam contra. Pessoas com a capacidade de influenciar e manipular. 

A igreja brasileira vive um momento muito delicado! 

Momento em que a glória a Deus foi substituída pela glória ao homem. Músicas que antes tinham por finalidade engrandecer e exaltar o nome de Jesus, hoje servem para elevar o ego, para propagar a vingança e o poder das palavras; a confissão positiva. 

O misticismo tem invadido com grande força os nossos arraiais e levado muitos a renegar sua verdadeira fé. 

A fé no poder de objetos consagrados é outro ponto forte neste evangelho fabricado. Lenços, meias, velas, toalhas, água e óleo servem como instrumentos de cura, de prosperidade e libertação. Tudo isso carregado de um sacrifico, na maioria das vezes em dinheiro, fazendo desse evangelho uma moeda de troca. 

A confiança nas palavras dos seus pastores, bispos, apóstolos e profetas, têm tido mais importância e influência do que as palavras do próprio Cristo. 

Criam super homens, com palavra infalível e inquestionável. Homens que não aceitam críticas e que se acham acima do bem e do mal. Homens que esqueceram o seu chamado, se vendaram e se entregaram ao amor pelo dinheiro, pelo prazer do sucesso e reconhecimento. 

Quanto aos seus seguidores, continuam vazios de Deus! 

Vazios por não buscarem conhecimento, por não aceitarem a verdade! A maior busca é pela cura e não pelo Deus que cura. 

Buscam com intensidade a prosperidade e não o Deus que nos faz prosperar. Se sacrificam pela liberdade, mas deixam de lado o Deus Libertador! 

Por isso, Deus diz que o seu povo se perde por falta de conhecimento, por não querer buscar a verdade nas Escrituras (Oseias 4.6). 

Precisamos rever esse evangelho. 

Precisamos de um verdadeiro e genuíno avivamento, alicerçado no amor. 

Precisamos ser como os cristãos de Beréia (Atos 17.10 e 11). Viver um Evangelho consciente e íntegro. Um evangelho que a emoção não se sobreponha à razão e nem a razão à emoção. 

Que nossa oração seja esta, a libertação da igreja brasileira.

Mas para que haja libertação é necessário o conhecimento da verdade. E para que cheguemos ao conhecimento da verdade, precisamos sair do nosso conforto e combater com coragem e ousadia todos os males que tem assolado a igreja. Combater as heresias que se proliferam com grande força e principalmente, não calar nossa voz. 

Mostrar ao mundo o Evangelho verdadeira. O Evangelho Puro e Simples que liberta e não o que aprisiona! 

Lembrando sempre que Crer também é pensar! 

Só a Deus a Glória. 

Wilton Lima