segunda-feira, 13 de julho de 2020

CRÔNICAS DE UMA INSÔNIA #010

AS DORES DE UM POETA

O medo quase sempre nos faz parar, em algumas situações, até mesmo desistir.

Ele vive rodeado por este medo, porém, nunca ateve-se aos desafios, nem mesmo aos que nos pareciam impossíveis.

Durante muito tempo buscava-se a aceitação; ter esta aceitação e estar ladeado por pessoas que aparentemente eram necessárias à sua vida, sempre foi uma busca constante. Hoje, mesmo negando, por vezes, ainda se encontra nesse estágio de busca.

Lembra daquele primeiro naufrágio e das marcas que ele deixou? Pensamos que ainda há marcas com feridas abertas e, talvez sejam elas as responsáveis por tanto medo.

Mas como não perceber?
Como não deixar-se tratar?
Ele mesmo não consegue compreender!
E quase sempre, sua opção é parar.

O caminho se torna cada vez mais difícil.
Sua poesia sempre foi um refúgio. Porém, suas rimas perderam a cor, perderam a razão de ser e ter. E os versos continuam mergulhados no mais triste dos silêncios.

Cada um seguiu seu caminho. Não era o caminho planejado no início da jornada, nem mesmo era cogitado.

Aquele brilho no sorriso perde cada vez mais a sua intensidade. A suavidade do olhar, que alegrava e consolava, aos poucos se esvai e em tudo, nos parece ser o fim.

Mas como pode ser?

As dores precisam ser tratadas e mesmo que fiquem as marcas, e sempre ficam, aquela ferida necessita ser curada.

Os motivos são conhecidos e evitáveis, porém, algo nos impede de removê-los. Talvez seja o medo, ou mesmo a voz da razão nos dizendo para continuar no caminho que estamos. E mesmo debilitado, o coração resiste e nos aponta um caminho ainda mais difícil, com muitas pedras e barreiras a serem enfrentadas, mas o caminho nos aponta para uma liberdade com uma alegria tão bela e inexplicável, que só encontro sentido no seu olhar!

Ele precisa de forças. Pois ainda há muito caminho a ser percorrido, muitas decisões a serem tomadas, muitos acasos a serem vividos e tentar, simplesmente tentar compreender e continuar!

Wilton Lima

domingo, 28 de junho de 2020

UM NOVO VÍRUS

Dia 26 de fevereiro de 2020, na cidade de São Paulo, temos o primeiro caso do novo Coronavírus confirmado no Brasil e o primeiro na América Latina. 

Dia 16 de março, o Brasil confirma a primeira morte por Covid-19. 

Hoje, 28 de junho, segundo consórcio de veículos de imprensa, com última atualização às 13h, o Brasil já tem confirmadas 57.174 mortes e 1.323.069 casos confirmados de Covid-19. 

Não são apenas números; são milhares de vidas perdidas, milhares de histórias interrompidas e o que me choca é a frieza que muitos têm em relação a dor daqueles que ficaram e não puderam fazer um enterro digno ou nem mesmo ter uma despedida justa. 

Eu vejo homens e mulheres com um sentimento tão ruim que não consigo adjetivar. Pessoas que colocam o dinheiro acima da dor do outro. Pessoas que querem voltar a ter o seu lucro; líderes políticos e religiosos, preocupados apenas com seu bem-estar financeiro, demonstrando descaso com aqueles que perderam e dos que perderão suas vidas e mais, se mostram alheios a dor dos que ficam. 

Eu vejo um mundo contaminado com algo mais forte e mortal que a Covid-19. Com um vírus que a cada dia me parece se proliferar rapidamente, às vezes entre aqueles que me pareciam ser incontamináveis, aqueles que deveriam cuidar e abraçar a todos, independentemente de qualquer escolha; independentemente de qualquer coisa. Apenas acolher e abraçar! 

Esse vírus eu chamo de ódio. Facilmente camuflado por uma espécie de amor às tradições, ao que alguns julgam ser o correto ou natural. Um sentimento que afasta e mata facilmente. 

Nos falta um amor verdadeiro, que cuida e olha para o outro; um olhar sem acusações. 

São dias difíceis, não sabemos quando tudo isso vai passar. Porém, vamos confiar e ter fé que dias melhores virão. Vamos nos proteger e mais que isso, vamos cuidar uns dos outros. 

Juntos, nós podemos vencer essa batalha; e juntos vamos sair muito mais fortes.

Foco, força e fé!
Wilton Lima

Fonte: G1

sexta-feira, 26 de junho de 2020

IMPERCEPÇÕES DE UM POETA

Existem tantos detalhes esquecidos. 
Existem tantos momentos sonhados. 
Existem sorrisos à sua espera, porém, ele simplesmente se perdeu nos seus próprios pensamentos. 

Houve um dia, ao perder o sono, que durante a madrugada, os versos pareciam voltar a ter uma nova rima, bela e melódica. Entretanto, não passava de resquícios que pairavam em seus sonhos. 

Tudo continua em ruínas.

O seu coração continua apegado às lembranças do passado e aos lapsos das memórias boas e vividas com tanta intensidade, em um passado recente ou mesmo à um futuro que possivelmente não será vivido. 

Então, mais uma vez ele para.

Para nos próprios pensamentos e nem mesmo há forças para sonhar. E lembras dos versos? Continuam mudos e sem cor; sem vida; sem e sim, com muitos porquês!

O sorriso está logo ali, mas ele não consegue entendê-lo como antes. Por isso ele se afasta cada vez mais, e dói...
Porém, nos parece ser uma dor imperceptível, tanto que não há nenhuma reação para voltar ao caminho que estavam.

A decisão de continuar tem sido muito difícil para eles, parece que todos se voltaram contra.

As barreiras são conhecidas e evitáveis, porém, algo os impede de removê-las. Talvez seja o medo, ou voz da razão tentando lhes dizer que a direção apontada por ela é a melhor; possivelmente a correta. Porém, e mesmo debilitado, o coração resiste e aponta um caminho ainda mais difícil, com muitas pedras e barreiras a serem enfrentadas, mas incrivelmente o caminho nos parece ser o mais livre, com uma alegria tão bela e inexplicável que só é encontrada no seu olhar.

E mais uma vez ele se coloca em profundo silêncio e quanto aos versos, não sabemos se eles estão mudos e sem rimas, sabemos apenas, que decidimos deixá-los em silêncio.

Por quanto tempo?

Não sei! Eu realmente não sei como será o final. Talvez os versos continuem mudos; talvez a força do silêncio prevaleça e provavelmente, caminharemos entre este misto e conflitos de sentimentos. 

Ainda há muito o que lutar e muito caminho a percorrer. Temos muitas decisões a tomar, muitos acasos a serem vividos e tentar, simplesmente tentar compreender. 

Wilton Lima

terça-feira, 10 de março de 2020

VAMOS FALAR DE POLÍTICA?

E de repente o clima na cidade muda.

Todos mudam o direcionamento das conversas em suas calçadas, mesas de bar, na escola, na faculdade e até mesmo em suas igrejas.

Aos poucos, a população se adapta aos discursos, muitas vezes já elaborado ao longo destes 4 anos ou, àqueles que à margem dos que já existem, procuram trazer uma nova perspectiva política, ou tentam apenas fazer ou reforçar seu nome na cidade.

As discussões nas redes sociais têm agora uma importância maior. Muitas vezes com argumentos mal elaborados. Quase sempre com discursos ofensivos, a fim de denegrir a imagem de um possível concorrente e assim, transparecer ser o mais preparado para assumir o cargo almejado. 

Aos poucos, vemos por toda a cidade, amizades sendo desfeitas e famílias sendo destruídas, pela ambição e por aquilo que chamamos de politicagem, o que para muitos é apenas a defesa do seu posicionamento político, o que poderia até ser, porém, não entendo ser a defesa de uma opinião, aquilo que se tenta fazer ser o único, correto e preparado. Único e sem erros. Entretanto, mesmo não havendo, um discurso unânime seria muito perigoso. Então, o interesse pessoal e as trocas de favores têm um protagonismo significativo em meio a esta politicagem.

Alguns discursos, livres de erros e tidos como perfeitos e necessários à cidade, hão de surgir nos próximos meses. Muitos se adequarão a eles, muitos os questionarão. Muitos ainda perderão amizades e as batalhas nas redes sociais hão de se intensificar. 

Eis que os jogos começaram...
Eis que os alvos estão sendo mirados;
As flechas já estão preparadas.
O clima nas ruas ainda mudará. 
Vizinhos se aproximarão, outros se distanciarão. 
Por aqui, tudo pode acontecer, não deveria, mas poderá acontecer!

E então, aproxima-se o momento da decisão. A democracia deverá vencer. Questionar-se-á sua legitimidade, porém seu resultado não será permanente, mas pelo menos deverá ser acolhido, pelo que ganha e pelo que perde. Pelo que ganha, ao saber que estará lá escolhido pela maioria, porém será de todos. Pelo que perde, ao saber entender suas fragilidades e tentar corrigi-las, se ainda tiver forças para isso.

A política local movimento tudo e todos, direta e indiretamente. Do mais ciente ao mais leigo, todos agora passam a fazer parte de um dos momentos mais importantes de Martinópole, o momento em que escolheremos os nossos representantes.

E que o façamos com responsabilidade. 

Wilton Lima

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

UM NATAL TODO DIA

Então chegam as festas de final de ano e as famílias se reúnem para comemorar um natal comestível, brilhante e recheado de presentes.

Festejamos uma hipocrisia coletiva!

Muitos, ao tentar amenizar suas falhas cometidas durante todo um ano, passam a lembrar dos mais carentes, com uma cesta básica talvez ou, doações de brinquedos usados e aquelas roupas já esquecidas também entram no pacote.

Sim, não é errado fazer isso, nem mesmo feio!
Mas depois?

Passamos nas ruas e vemos aquelas mesmas pessoas pedindo ajuda, vemos pais desempregados, pessoas sem um lar para dormir, passando frio, fome, sem um abraço e sem ninguém para lhe ouvir. 

E nós como reagimos?

Passamos nas ruas e vemos muitos entregues às drogas, alguns mendigando para alimentar essa “necessidade” e nós, o que fazemos?

Vemos os noticiários de centenas de mulheres sendo exploradas e amordaçadas diariamente e quando estas mesmas mulheres levantam suas vozes para denunciar e pedir socorro o que dizemos?

E o incontável número de crianças no interior do Nordeste, sendo utilizadas como brinquedos sexuais todos os dias, qual a nossa reação, o que fazemos para mudar?

Eu poderia ainda citar as mortes dos negros que em sua maioria é pobre e morador de favela. Ou mesmo das muitas mortes de homossexuais e que muitas vezes não levamos em consideração.

Onde nós estamos? 
Qual nossa reação para tentar mudar essa realidade? 
Simplesmente nos calamos?

Desejar um Feliz Natal deveria ser mais que um desejo. Deveria haver mais atitude da nossa parte. Lembrar dos que precisam, dos que não tem voz e nem vez no meio que estão, às vezes, jogados às margens de uma sociedade preconceituosa, racista e homofóbica.

Bom seria, se o natal fosse todo dia.

As famílias estariam mais unidas. Os corações mais cheios de esperança; cheios de solidariedade.

Talvez, tivéssemos menos desigualdade; menos opressão. Ouviríamos mais uns aos outros e assim, teríamos mais amor e bem mais compreensão.

Viva este natal todos os dias!

Wilton Lima

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

ENTRE CERTEZAS E INCERTEZAS - Parte 02

Dia 1º de outubro de 2006, neste dia eu votava pela primeira vez. Eram as eleições presidenciais e no segundo turno, no dia 29 do mesmo mês, o ex-presidente Lula se reelegia com uma porcentagem de 60,83% dos votos válidos, sobre o candidato tucano Geraldo Alckmin.

Já no dia 5 de outubro do ano de 2008, votei pela primeira vez para prefeito e vereador. Foi uma votação histórica em Martinópole, minha cidade. O então prefeito Francisco Fontenele Viana se reelegia com 56,53% dos votos válidos, sobre o candidato peemedebista James Martins.

O ano de 2020 se aproxima e com ele as tensões por conta de mais uma campanha eleitoral. Quem vive e respira a política do interior cearense, sabe bem como são as movimentações, em algumas cidades, como Martinópole por exemplo, vivemos em campanha política, aparentemente, o tempo todo e ela apenas se intensifica nos anos de eleição.

Há alguns meses ressurgiu de um passado razoavelmente distante, o filho de um político derrotado nas urnas em 2004, com um discurso de ser o novo para Martinópole, diferente da atual gestão e daquela que foi afastada ao final do ano de 2016, antes mesmo de concluir seu mandado, o mesmo que foi derrotado em 2008, mas que conseguiu se eleger em 2012.

Entre as certezas e incertezas do passado, um grupo que se apresentava como novo, em seus discursos pessoais e através de aliados, por meio das redes sociais, dizia se sentir frustrados com o prefeito atual e mais ainda com o líder político passado e afastado do cargo em 2016, que os abandonou e foi morar em outro estado e, que por aqui raramente é visto. Por isso então, optaram pelo que chamavam de "novo" para Martinópole. 

Porém, os que se diziam diferentes, a novidade e mudança para Martinópole, juntaram-se ao passado que tanto criticavam e mais, não é a primeira vez que isso acontece.

Em 2008, este que se colocava como uma alternativa nova para Martinópole, já foi aliado com o prefeito afastado, através de sua mãe, que foi vice-prefeita na chapa derrotada pelo pai do atual prefeito Júnior Fontenele.

O certo é que estamos no pré-aquecimento para 2020 e muitas mudanças hão de acontecer, algumas inesperadas pode acreditar, outras apenas confirmação do que podemos esperar.

Aqueles que cantavam que, viver do passado é coisa de museu, hoje se curvam a mediocridade dos seus próprios discursos mal elaborados e tentam a todo custo passar a impressão de que serão a solução dos erros que eles mesmos tanto cometeram.

Eu ainda prefiro a certeza do que meus olhos podem contemplar, de um trabalho honesto e transparente, com muita dificuldade isso não podemos negar, afinal de contas, herdamos dívidas absurdas a pagar. 

Há o que melhorar?
Isso é uma certeza absoluta em tudo na vida, mas negar as mudanças na infraestrutura dos nossos prédios, na limpeza da cidade, no cuidado extremo com a saúde e educação é ser, pelo menos, um facínora e não saber reconhecer quando erramos e acertamos, de forma honesta.

Eu volto a reafirmar: Eu, vivi todas as versões desta história relatada e dificilmente um discurso manipulador me seduzirá. Ainda mais sendo recheado de boas intenções, vindas de alguém que já participou do que era mal, que podia ajudar e não ajudou, que os abandonou quando mais precisou. 

Eu, jamais trocarei o certo pelo que nos parece ser incerto, mas com a certeza que eles seriam os mesmos que já foram um dia.

Wilton Lima

domingo, 27 de outubro de 2019

INDO NA DIREÇÃO CONTRÁRIA

Vivemos no tempo em que nos tornamos pessoas descartáveis, e encontrar quem doe atenção, cuidado e amor, é sempre tido como suspeito. 

Estamos no tempo em que nossos políticos legislam em causa própria e encontrar a resistência em alguns não é compreensível, às vezes nem é mesmo aceito. 

Recente, conversando com um amigo sobre os rumos da política e os direcionamentos que a sociedade tem tomado, voltando-se a um conservadorismo extremo, que julga e mata sonhos e que até chega a matar fisicamente por causa das diferenças, é impossível acreditar e querer lutar por dias melhores ou simplesmente por uma mudança ou mesmo lutar pelo direito de ser e viver com as diferenças que por acaso venhamos a ter em relação àqueles que têm o poder sobre o estado. 

Sim, eu ainda acredito em dias melhores e mais justos do que estes que estamos imergidos. 

A mudança verdadeira há de acontecer primeiro por meio daqueles que acreditam e são a resistência. Que dedicam o que têm e o que são, por aqueles que já não tem forças de lutar e acreditar.

É lamentável ver uma parcela considerável da sociedade, formada em sua maioria por religiosos que julgam antes mesmo do Deus que eles dizem servir. Que determinam o que é o certo e errado em uma sociedade plural e de crenças múltiplas, cada uma com sua particularidade, que merece respeito e atenção se necessária. É lamentável ver esse mesmo grupo acreditar em um Messias, que coloca a solução nas armas e na tortura daqueles que não seguem o mesmo rito que ele. 

Estão indo em direções totalmente opostas. Seguindo caminhos já trilhados, caminhos que mataram, torturaram e que para eles, parece ser a solução.

Não dá! 
Eu vou seguir o caminho contrário do deles. Eu vou continuar sendo a resistência, mesmo que para muitos parece ser loucura ou mesmo um ato de rebeldia e talvez seja mesmo. 

Não podemos nos calar e simplesmente aceitar sem antes levantar nosso grito de protesto, sem mostrar que pensamos e que somos diferentes.

À luta, firmes, fortes e unidos!

Wilton Lima