domingo, 20 de setembro de 2026

CONHECIMENTO NUNCA É DEMAIS


Buscar conhecimento nunca é demais.

Eu repito: conhecimento nunca é demais!

Contentar-se com o básico, permanecer no pouco conhecimento ou, pior ainda, não buscar conhecimento algum é, quase sempre, conveniente para aqueles que têm como objetivo manipular para controlar pessoas.

Porque quem não busca conhecimento aceita facilmente aquilo que lhe é apresentado.

O conhecimento tem valor. É uma das maiores riquezas que o ser humano pode conquistar — e uma riqueza que ninguém pode tirar de você.

Então, leia. Mas leia mesmo.

Estude o quanto puder e enquanto tiver essa possibilidade.

Pare. Reflita sobre cada texto que ler. Questione. Pesquise. Busque diferentes referências sobre aquilo que deseja aprender.

Leia as opiniões favoráveis, mas também leia as opiniões contrárias. Conheça os diferentes lados, confronte as ideias e, a partir disso, formule a sua própria opinião.

Não permita que pensem por você.

Não aceite como verdade tudo aquilo que lhe dizem apenas porque parece conveniente ou porque todos ao seu redor acreditam.

O conhecimento amplia horizontes, desperta a consciência e nos dá a liberdade de pensar por nós mesmos.

Então, eu repito: conhecimento nunca é demais!

Saia do básico.
Saia do raso.
Busque conhecimento.
Pense por você.

Wilton Lima

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

CONFISSÕES DE NOITES VAZIAS

Perder-se em meio ao caos que se tornou sua vida, foi algo tão inesperado quanto a aceitação de tudo que lhe foi proposto; em alguns momentos, imposto.

[...]
Transformar sua realidade e até mesmo forjar seus sentimentos para lhes parecerem aceitáveis aos olhos de quem o julga, ou mesmo de quem busca essa reciprocidade, tem aprisionado sua vida real ao ponto de nem mesmo saber quem ele é ou o que sente, nem por quem sente.

Ele se perdeu em meio a este caos!

As noites se tornam cada vez mais tensas, com um brilho tão forte que lhe tira a visão e o empurra ao caminho aposto àquele que grita seu coração;
e assim, mais uma vez, ele entra em um estado de dissensão.

E este conflito ganha forças e ele o alimento; inconscientemente acreditamos.
É certo que o medo que o rodeia e lhe toma pelas mãos, tem um papel fundamental nessa história. Um protagonismo descabido e sem controle algum.

Ele, porém, para e pensa:

— Voltar já não faz sentido, na verdade não tenho essa certeza.
Apenas sei que saí de um abismo profundo e me lancei em um outro que aprisionou o mais complexo dos meus sentimentos e ainda fez libertar meus piores monstros; e eles estão aqui, entrelaçados nos meus versos, que muitas vezes partem para uma direção duvidosa, eu diria até que perigosa, sem um rumo certo. Sou apenas levado pelo momento de dor que eu me lancei ou me fiz lançar!
Eu não sei...
Eu deveria voltar e tentar de novo?

— "Estamos perdidos em meio ao caos que se tornou nossas vidas!"

Sabemos que o caminho de volta é inevitável; ele ainda tem aquela luta, com seu misto de sentimentos complexo e inexplicável, criado por ele e que nos parece ser este, um caminho sem volta; e talvez deva ser.

O mais duro e difícil de ser aceito por ele é que em meio a tudo isso, ele se encontra sozinho e continua como um náufrago em alto mar. Mas bem distante, ele consegue perceber que há terra firme, mas teme ser apenas um delírio da sua mente já tão confusa.

Ele já não se encontra em si mesmo.
Busca refúgio nos seus versos; cheios de medo e dor...


Wilton Lima

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

CRÔNICAS DE UMA INSÔNIA #012

NOITES VAZIAS

São noites perturbadoras e ele se sente sozinho.

As lágrimas têm sido as suas melhores palavras, pois nem mesmo escrever, como outrora, ele consegue;
seus versos estão mudos!

[...]
E mais uma vez, ele mergulha naquele misto de sentimentos que volta a lhe prender ao medo e, lhe deixa como um náufrago perdido em alto mar; envolto em uma neblina tão forte que lhe fez perder o rumo.

São noites perturbadoras...

Ele tenta se encaixar no único refúgio que julga ter, buscando orientações para seguir o caminho mais fácil, na verdade, o caminho aceitável e mais cômodo; mas não para ele.

[...]
Muitos estão andando com ele e de braços dados até...
Lhe conduzindo ao fácil ou mesmo àquilo que o seu coração grita constantemente.

Porém, ele está sozinho, perdido e sem rumo!
E sua força se esvai.

O medo lhe tira o sono, aprisionando suas rimas e sufocando o mais belo dos seus sentimentos.

Ele nem mais o reconhece;
esqueceu seu sabor e sua fragrância se perde a cada passo arrastado que ele dá.

E os dias são difíceis para ele e, de decisões que teme fazer, mas que é preciso; ou não...

Tudo lhe diz que a solução é parar ou mesmo desistir dos seus sentimentos; desse complexo misto de sentimentos. Entretanto, têm sido sua base e sua constante busca por uma resolução; alguns diriam ser a sua válvula de escape!

São noites perturbadoras e ele, já sem forças, luta sem saber para onde ir e na incerteza se há de existir alguém que lhe estenderá a mão. Sem questionamentos e dúvidas, apenas lhe dá a mão!

Wilton Lima

quarta-feira, 24 de março de 2021

Nada será igual - entre o medo e a saudade


Os dias têm sido difíceis
De muita dor
Medo e de muita incerteza.

A distância se tornou quase obrigatória para muitos, porém necessária.

Há aproximadamente 1 ano, essa doença me distanciava de pessoas que vão sempre merecer um espaço especial e significativo na minha vida.

Uma saudade sem explicação me consome...
Até aquela rotina, que eu costumava reclamar, confesso que me faz falta!

Eu sei que não será igual...

As viagens à Sobral, naquele busão universitário quase sempre lotado, penso que vai ser um pouco diferente, mas durante a viagem eu voltarei a ouvir minhas músicas preferidas e os melhores podcasts.

O retorno as salas de aula será um momento nostálgico, como aquele primeiro dia na Universidade, com o coração cheio de sonhos para o futuro, com a esperança de construir laços de amizade no curso escolhido;

a vontade de voltar, abraçar com vontade e forte, só aumenta.

Mas não será igual!

Provavelmente, as reuniões entre amigos, as festas ou até mesmo aqueles papos descontraídos no Spetos Beer ou ali no anfiteatro da Praça Quirino Rodrigues, nossa Pracinha do Abrigo, não serão iguais;

a dor pelas milhares de mortes, algumas próximas a nós, vão sempre nos fazer repensar em como devemos gerenciar nosso tempo, como aproveitar cada momento dos nossos dias.

Um sentimento de vazio me consome quando lembro que ano passado não tivemos a nossa tradicional confraternização dos Nerds Jornalistas, sempre ali no Tako; e me dói pensar que corremos o risco de não tê-la esse ano.

Sinto uma dor por não poder ver e abraçar aqueles que me receberam como família quando cheguei em Sobral, ainda muito tímido e sem nenhuma amizade. Saudade dos almoços em família e das conversas sobre política e religião, momentos que me traziam muito aprendizado. E então, me envolvo no desejo de revê-los e conhecer os novos integrantes da família.

Há também, uma grande saudade daquela correria da segunda-feira; de chegar quase sempre atrasado na reunião geral do Time Enactus UVA Sobral e correr de um campus para o outro para conseguir pegar o RU ainda aberto ou mesmo das reuniões do Marketing na Padaria do Arco e de lá andar um bocado até o Betânia.

Essa correria faz falta.

Sinto mais ainda do convívio com o time, dos aprendizados de cada encontro, dos finais de semana na comunidade do Serrote do Piaba, da energia contagiante da Dona Rose, Dona Nonata, da Dona Edileuza, do Carlinhos, enfim, o SerTão Sustentável vai sempre fazer parte da minha vida.

E eu sinto falta de planejar meus finais de semana em Acaraú para reencontrar amigos queridos, mesmo sabendo que haverá algum imprevisto e eu não irei.
Há uma saudade daqueles que mesmo longe e em momentos improváveis permaneceram fieis a uma amizade construída lá em 2005 e são muitas as história de superação para contar. No entanto, Shakespeare já me alertou naquela época que "um dia a gente aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias" e nós comprovamos e estamos vivendo essa realidade.

Às vezes, quando eu paro e fico a pensar, bate um arrependimento de todas as oportunidades que deixei passar; de não ter falado o que eu deveria, de não amar mais, não cuidar como queria, de não dá atenção necessária ou simplesmente não ser e estar.

E olha que Shakespeare já havia me falado quando eu ainda tinha 14 anos, que devemos sempre nos despedir das pessoas que amamos com palavras amorosas e aproveitar cada momento com elas; pode ser a última vez que as vejamos.

E muita coisa mudou e não vai ser igual;

Talvez, quando tudo isso passar, eu aproveite com mais intensidade os momentos não planejados, assim eu valorizo ainda mais cada sorriso e cada olhar oferecido, até mesmo os mais tristes;

Mas eu sei que nada vai ser igual e é bom que não seja!

Wilton Lima

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

CRÔNICAS DE UMA INSÔNIA #011

FRAGMENTOS

Ele olha para trás e percebe que não tinha ao seu alcance, nenhuma solução e nenhum socorro ao seu dispor. Foi obrigado a viver e mergulhar no mais sombrio dos seus sentimentos;

e assim ele se perdeu;
se perdeu de si mesmo!

A memória de uma infância não vivida como deveria, vem à mente como um raio que acerta seu alvo sem nenhum temor das consequências ruins que ele trará.
E traz uma destruição tão grande que seu pensamento ultrapassa os limites conhecidos, mergulha no mais profundo e solitário dos seus sentimentos e lá, parece querer morar.

Porém, algumas vezes ele se depara com lembranças tão distantes, tão fora da realidade, que acredita estar apenas sonhando e que nunca chegou realmente a vivê-las.

Entre lapsos de memórias recentes, esse passado vem com expressões em detalhes, com momentos que paralisam seu pensamento. Acredita que não aproveitou com excelência as alegrias que são lembradas e possivelmente, seja este o motivo de paralisar nessas expressões de felicidade.

Mas nem todo momento é de prazer. Num instante de pausa, quando se deleita nas alegrias, veem as dores, os traumas que ele teima em dizer que não lhe machucam mais, que só fazem parte de um passado esquecido.

Junto, porém, vem os questionamentos.

Assim, ele se torna refém deste passado, enquanto memórias frescas insistem em não permanecer guardadas.
O cruzamento de sentimentos trazidos por essas expressões passadas, têm-lhe tirado o sono e o envolve numa insônia tenebrosa. O brilho dos sorrisos lembrados é apagado e ele não consegue identificar reação alguma para ter sido diferente.
Afinal, aparentemente era bom, era só uma escolha. Mas não, não era só isso, não se tratava apenas de escolhas.

Ele não sabe!

Novamente, se perde em seus pensamentos...
E hoje, sua luta diária tem sido essa: de combater seus monstros e o medo que lhe persegue a cada noite de insônia ou a cada minuto em que sua mente lhe trai e o faz se envolver com aqueles momentos que seu coração vive a lutar contra.

Olha para trás e vê um passado de muita dor. Algumas que o persegue até hoje. Então, ele olha adiante e se depara com seus temores e com as maiores incertezas, refletidas no misto de sentimentos que o envolve e lhe aprisiona na maior dúvida que já enfrentara.

Mas ele continua...

Wilton Lima

sábado, 5 de setembro de 2020

DIAS INCERTOS

[...] E a saga deles continua!


O caminho volta às suas incertezas e recheado de grandes dúvidas, do que há de vir ou mesmo do que realmente são estes sentimentos mistos e frenéticos. 

As lacunas tornaram-se ainda maiores!

Aparentemente, ao externo, tudo está tranquilo e fluindo, como a mais bela canção já composta. Porém, são dias difíceis; decisivos, porém, indecisos...

As incertezas voltaram como um novo ingrediente.
A dúvida sobre a veracidade de um dos sentimentos, o que para eles é o essencial para fazer sentido na caminhada em busca daquilo que almejam. Eles param em meio a esta dúvida. E mais uma vez a caminhada é interrompida.

O caminho se tornou irrisório!

[...] Uma partida se faz necessária e, o silêncio pôde voltar a dominar os seus versos, que lentamente voltava a ter suas rimas. O medo da partida lhe consomo e lhe tira o sono em quase todas as noites e deixa seus dias incertos e sem esperança.

Na verdade, o brilho no olhar e aquela paixão do primeiro momento continuam radiantes como outrora, mas a distância tenta romper esse elo; o coração ainda fragilizado segue firme, porém sem a certeza de que voltarão a caminhar juntos; no mesmo sentimento.

A visão é turva e o caminho traiçoeiro. Contudo, eles continuam tentando e ainda há muito o que percorrer.

Esperar...
Continuar e esperar.

Wilton Lima

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O silêncio que incomoda

Eu moro em uma cidade pequena, com pouco mais de 11 mil habitantes, localizada a mais de 300km da capital Fortaleza.

Em março, quando surgiram os primeiros casos da Covid-19 no Brasil, temia-se muito por aqui que o vírus chegasse ao Nordeste e tão logo ao Ceará. E ele chegou e com muita força.
Eu via o desespero de alguns, bem poucos, quando as primeiras mortes eram confirmadas no Brasil. Porém, naquele momento estávamos todos muito apreensivos e com medo do que estava por vir.

Contudo, aos poucos me parecia que tudo ia se tornado normal aos olhos e sentimentos de muitos. Me traziam a sensação, de que para eles eram apenas números e pior do que isso, o sentimento de dor e compaixão não era transmitido, nem mesmo com números tão altos de casos confirmados e com milhares de mortes em todo país.

Hoje, já passamos de 114 mil mortes no Brasil e com mais de 3 milhões e 600 mil casos confirmados da Convid-19.

Por aqui, a sensação é que o vírus não existe e que a dor pela morte de mais de 114 mil pessoas é irrelevante. Isso é apenas um reflexo do que vemos no Brasil, onde seu líder tenta a todo custo minimizar essa grave crise que enfrentamos, pois, seus olhos estão fixos apenas para 2022.

Não sentimos a dor do outro, não nos importamos uns com os outros. Eu confesso que tento manter firme minha esperança de que tudo vai melhorar, não de voltar ao normal, pois nosso normal já era algo muito ruim.

É difícil, muito difícil!

Que possamos ser melhores, nos colocar no lugar do outro, ou tentar, pelo menos. Quem sabe assim, possamos sentir um pouco da dor que as famílias e amigos, das mais de 114 mil pessoas que partiram, estão sentindo nesse momento.

Isso é sobre ser gente. Saber amar e cuidar do outro! 
Podemos tentar?

Wilton Lima

segunda-feira, 13 de julho de 2020

CRÔNICAS DE UMA INSÔNIA #010

AS DORES DE UM POETA

O medo quase sempre nos faz parar, em algumas situações, até mesmo desistir.

Ele vive rodeado por este medo, porém, nunca ateve-se aos desafios, nem mesmo aos que nos pareciam impossíveis.

Durante muito tempo buscava-se a aceitação; ter esta aceitação e estar ladeado por pessoas que aparentemente eram necessárias à sua vida, sempre foi uma busca constante. Hoje, mesmo negando, por vezes, ainda se encontra nesse estágio de busca.

Lembra daquele primeiro naufrágio e das marcas que ele deixou? Pensamos que ainda há marcas com feridas abertas e, talvez sejam elas as responsáveis por tanto medo.

Mas como não perceber?
Como não deixar-se tratar?
Ele mesmo não consegue compreender!
E quase sempre, sua opção é parar.

O caminho se torna cada vez mais difícil.
Sua poesia sempre foi um refúgio. Porém, suas rimas perderam a cor, perderam a razão de ser e ter. E os versos continuam mergulhados no mais triste dos silêncios.

Cada um seguiu seu caminho. Não era o caminho planejado no início da jornada, nem mesmo era cogitado.

Aquele brilho no sorriso perde cada vez mais a sua intensidade. A suavidade do olhar, que alegrava e consolava, aos poucos se esvai e em tudo, nos parece ser o fim.

Mas como pode ser?

As dores precisam ser tratadas e mesmo que fiquem as marcas, e sempre ficam, aquela ferida necessita ser curada.

Os motivos são conhecidos e evitáveis, porém, algo nos impede de removê-los. Talvez seja o medo, ou mesmo a voz da razão nos dizendo para continuar no caminho que estamos. E mesmo debilitado, o coração resiste e nos aponta um caminho ainda mais difícil, com muitas pedras e barreiras a serem enfrentadas, mas o caminho nos aponta para uma liberdade com uma alegria tão bela e inexplicável, que só encontro sentido no seu olhar!

Ele precisa de forças. Pois ainda há muito caminho a ser percorrido, muitas decisões a serem tomadas, muitos acasos a serem vividos e tentar, simplesmente tentar compreender e continuar!

Wilton Lima

domingo, 28 de junho de 2020

UM NOVO VÍRUS

Dia 26 de fevereiro de 2020, na cidade de São Paulo, temos o primeiro caso do novo Coronavírus confirmado no Brasil e o primeiro na América Latina. 

Dia 16 de março, o Brasil confirma a primeira morte por Covid-19. 

Hoje, 28 de junho, segundo consórcio de veículos de imprensa, com última atualização às 13h, o Brasil já tem confirmadas 57.174 mortes e 1.323.069 casos confirmados de Covid-19. 

Não são apenas números; são milhares de vidas perdidas, milhares de histórias interrompidas e o que me choca é a frieza que muitos têm em relação a dor daqueles que ficaram e não puderam fazer um enterro digno ou nem mesmo ter uma despedida justa. 

Eu vejo homens e mulheres com um sentimento tão ruim que não consigo adjetivar. Pessoas que colocam o dinheiro acima da dor do outro. Pessoas que querem voltar a ter o seu lucro; líderes políticos e religiosos, preocupados apenas com seu bem-estar financeiro, demonstrando descaso com aqueles que perderam e dos que perderão suas vidas e mais, se mostram alheios a dor dos que ficam. 

Eu vejo um mundo contaminado com algo mais forte e mortal que a Covid-19. Com um vírus que a cada dia me parece se proliferar rapidamente, às vezes entre aqueles que me pareciam ser incontamináveis, aqueles que deveriam cuidar e abraçar a todos, independentemente de qualquer escolha; independentemente de qualquer coisa. Apenas acolher e abraçar! 

Esse vírus eu chamo de ódio. Facilmente camuflado por uma espécie de amor às tradições, ao que alguns julgam ser o correto ou natural. Um sentimento que afasta e mata facilmente. 

Nos falta um amor verdadeiro, que cuida e olha para o outro; um olhar sem acusações. 

São dias difíceis, não sabemos quando tudo isso vai passar. Porém, vamos confiar e ter fé que dias melhores virão. Vamos nos proteger e mais que isso, vamos cuidar uns dos outros. 

Juntos, nós podemos vencer essa batalha; e juntos vamos sair muito mais fortes.

Foco, força e fé!
Wilton Lima

Fonte: G1

sexta-feira, 26 de junho de 2020

IMPERCEPÇÕES DE UM POETA

Existem tantos detalhes esquecidos. 
Existem tantos momentos sonhados. 
Existem sorrisos à sua espera, porém, ele simplesmente se perdeu nos seus próprios pensamentos. 

Houve um dia, ao perder o sono, que durante a madrugada, os versos pareciam voltar a ter uma nova rima, bela e melódica. Entretanto, não passava de resquícios que pairavam em seus sonhos. 

Tudo continua em ruínas.

O seu coração continua apegado às lembranças do passado e aos lapsos das memórias boas e vividas com tanta intensidade, em um passado recente ou mesmo à um futuro que possivelmente não será vivido. 

Então, mais uma vez ele para.

Para nos próprios pensamentos e nem mesmo há forças para sonhar. E lembras dos versos? Continuam mudos e sem cor; sem vida; sem e sim, com muitos porquês!

O sorriso está logo ali, mas ele não consegue entendê-lo como antes. Por isso ele se afasta cada vez mais, e dói...
Porém, nos parece ser uma dor imperceptível, tanto que não há nenhuma reação para voltar ao caminho que estavam.

A decisão de continuar tem sido muito difícil para eles, parece que todos se voltaram contra.

As barreiras são conhecidas e evitáveis, porém, algo os impede de removê-las. Talvez seja o medo, ou voz da razão tentando lhes dizer que a direção apontada por ela é a melhor; possivelmente a correta. Porém, e mesmo debilitado, o coração resiste e aponta um caminho ainda mais difícil, com muitas pedras e barreiras a serem enfrentadas, mas incrivelmente o caminho nos parece ser o mais livre, com uma alegria tão bela e inexplicável que só é encontrada no seu olhar.

E mais uma vez ele se coloca em profundo silêncio e quanto aos versos, não sabemos se eles estão mudos e sem rimas, sabemos apenas, que decidimos deixá-los em silêncio.

Por quanto tempo?

Não sei! Eu realmente não sei como será o final. Talvez os versos continuem mudos; talvez a força do silêncio prevaleça e provavelmente, caminharemos entre este misto e conflitos de sentimentos. 

Ainda há muito o que lutar e muito caminho a percorrer. Temos muitas decisões a tomar, muitos acasos a serem vividos e tentar, simplesmente tentar compreender. 

Wilton Lima

terça-feira, 10 de março de 2020

VAMOS FALAR DE POLÍTICA?

E de repente o clima na cidade muda.

Todos mudam o direcionamento das conversas em suas calçadas, mesas de bar, na escola, na faculdade e até mesmo em suas igrejas.

Aos poucos, a população se adapta aos discursos, muitas vezes já elaborado ao longo destes 4 anos ou, àqueles que à margem dos que já existem, procuram trazer uma nova perspectiva política, ou tentam apenas fazer ou reforçar seu nome na cidade.

As discussões nas redes sociais têm agora uma importância maior. Muitas vezes com argumentos mal elaborados. Quase sempre com discursos ofensivos, a fim de denegrir a imagem de um possível concorrente e assim, transparecer ser o mais preparado para assumir o cargo almejado. 

Aos poucos, vemos por toda a cidade, amizades sendo desfeitas e famílias sendo destruídas, pela ambição e por aquilo que chamamos de politicagem, o que para muitos é apenas a defesa do seu posicionamento político, o que poderia até ser, porém, não entendo ser a defesa de uma opinião, aquilo que se tenta fazer ser o único, correto e preparado. Único e sem erros. Entretanto, mesmo não havendo, um discurso unânime seria muito perigoso. Então, o interesse pessoal e as trocas de favores têm um protagonismo significativo em meio a esta politicagem.

Alguns discursos, livres de erros e tidos como perfeitos e necessários à cidade, hão de surgir nos próximos meses. Muitos se adequarão a eles, muitos os questionarão. Muitos ainda perderão amizades e as batalhas nas redes sociais hão de se intensificar. 

Eis que os jogos começaram...
Eis que os alvos estão sendo mirados;
As flechas já estão preparadas.
O clima nas ruas ainda mudará. 
Vizinhos se aproximarão, outros se distanciarão. 
Por aqui, tudo pode acontecer, não deveria, mas poderá acontecer!

E então, aproxima-se o momento da decisão. A democracia deverá vencer. Questionar-se-á sua legitimidade, porém seu resultado não será permanente, mas pelo menos deverá ser acolhido, pelo que ganha e pelo que perde. Pelo que ganha, ao saber que estará lá escolhido pela maioria, porém será de todos. Pelo que perde, ao saber entender suas fragilidades e tentar corrigi-las, se ainda tiver forças para isso.

A política local movimento tudo e todos, direta e indiretamente. Do mais ciente ao mais leigo, todos agora passam a fazer parte de um dos momentos mais importantes de Martinópole, o momento em que escolheremos os nossos representantes.

E que o façamos com responsabilidade. 

Wilton Lima

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

UM NATAL TODO DIA

Então chegam as festas de final de ano e as famílias se reúnem para comemorar um natal comestível, brilhante e recheado de presentes.

Festejamos uma hipocrisia coletiva!

Muitos, ao tentar amenizar suas falhas cometidas durante todo um ano, passam a lembrar dos mais carentes, com uma cesta básica talvez ou, doações de brinquedos usados e aquelas roupas já esquecidas também entram no pacote.

Sim, não é errado fazer isso, nem mesmo feio!
Mas depois?

Passamos nas ruas e vemos aquelas mesmas pessoas pedindo ajuda, vemos pais desempregados, pessoas sem um lar para dormir, passando frio, fome, sem um abraço e sem ninguém para lhe ouvir. 

E nós como reagimos?

Passamos nas ruas e vemos muitos entregues às drogas, alguns mendigando para alimentar essa “necessidade” e nós, o que fazemos?

Vemos os noticiários de centenas de mulheres sendo exploradas e amordaçadas diariamente e quando estas mesmas mulheres levantam suas vozes para denunciar e pedir socorro o que dizemos?

E o incontável número de crianças no interior do Nordeste, sendo utilizadas como brinquedos sexuais todos os dias, qual a nossa reação, o que fazemos para mudar?

Eu poderia ainda citar as mortes dos negros que em sua maioria é pobre e morador de favela. Ou mesmo das muitas mortes de homossexuais e que muitas vezes não levamos em consideração.

Onde nós estamos? 
Qual nossa reação para tentar mudar essa realidade? 
Simplesmente nos calamos?

Desejar um Feliz Natal deveria ser mais que um desejo. Deveria haver mais atitude da nossa parte. Lembrar dos que precisam, dos que não tem voz e nem vez no meio que estão, às vezes, jogados às margens de uma sociedade preconceituosa, racista e homofóbica.

Bom seria, se o natal fosse todo dia.

As famílias estariam mais unidas. Os corações mais cheios de esperança; cheios de solidariedade.

Talvez, tivéssemos menos desigualdade; menos opressão. Ouviríamos mais uns aos outros e assim, teríamos mais amor e bem mais compreensão.

Viva este natal todos os dias!

Wilton Lima

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

ENTRE CERTEZAS E INCERTEZAS - Parte 02

Dia 1º de outubro de 2006, neste dia eu votava pela primeira vez. Eram as eleições presidenciais e no segundo turno, no dia 29 do mesmo mês, o ex-presidente Lula se reelegia com uma porcentagem de 60,83% dos votos válidos, sobre o candidato tucano Geraldo Alckmin.

Já no dia 5 de outubro do ano de 2008, votei pela primeira vez para prefeito e vereador. Foi uma votação histórica em Martinópole, minha cidade. O então prefeito Francisco Fontenele Viana se reelegia com 56,53% dos votos válidos, sobre o candidato peemedebista James Martins.

O ano de 2020 se aproxima e com ele as tensões por conta de mais uma campanha eleitoral. Quem vive e respira a política do interior cearense, sabe bem como são as movimentações, em algumas cidades, como Martinópole por exemplo, vivemos em campanha política, aparentemente, o tempo todo e ela apenas se intensifica nos anos de eleição.

Há alguns meses ressurgiu de um passado razoavelmente distante, o filho de um político derrotado nas urnas em 2004, com um discurso de ser o novo para Martinópole, diferente da atual gestão e daquela que foi afastada ao final do ano de 2016, antes mesmo de concluir seu mandado, o mesmo que foi derrotado em 2008, mas que conseguiu se eleger em 2012.

Entre as certezas e incertezas do passado, um grupo que se apresentava como novo, em seus discursos pessoais e através de aliados, por meio das redes sociais, dizia se sentir frustrados com o prefeito atual e mais ainda com o líder político passado e afastado do cargo em 2016, que os abandonou e foi morar em outro estado e, que por aqui raramente é visto. Por isso então, optaram pelo que chamavam de "novo" para Martinópole. 

Porém, os que se diziam diferentes, a novidade e mudança para Martinópole, juntaram-se ao passado que tanto criticavam e mais, não é a primeira vez que isso acontece.

Em 2008, este que se colocava como uma alternativa nova para Martinópole, já foi aliado com o prefeito afastado, através de sua mãe, que foi vice-prefeita na chapa derrotada pelo pai do atual prefeito Júnior Fontenele.

O certo é que estamos no pré-aquecimento para 2020 e muitas mudanças hão de acontecer, algumas inesperadas pode acreditar, outras apenas confirmação do que podemos esperar.

Aqueles que cantavam que, viver do passado é coisa de museu, hoje se curvam a mediocridade dos seus próprios discursos mal elaborados e tentam a todo custo passar a impressão de que serão a solução dos erros que eles mesmos tanto cometeram.

Eu ainda prefiro a certeza do que meus olhos podem contemplar, de um trabalho honesto e transparente, com muita dificuldade isso não podemos negar, afinal de contas, herdamos dívidas absurdas a pagar. 

Há o que melhorar?
Isso é uma certeza absoluta em tudo na vida, mas negar as mudanças na infraestrutura dos nossos prédios, na limpeza da cidade, no cuidado extremo com a saúde e educação é ser, pelo menos, um facínora e não saber reconhecer quando erramos e acertamos, de forma honesta.

Eu volto a reafirmar: Eu, vivi todas as versões desta história relatada e dificilmente um discurso manipulador me seduzirá. Ainda mais sendo recheado de boas intenções, vindas de alguém que já participou do que era mal, que podia ajudar e não ajudou, que os abandonou quando mais precisou. 

Eu, jamais trocarei o certo pelo que nos parece ser incerto, mas com a certeza que eles seriam os mesmos que já foram um dia.

Wilton Lima

domingo, 27 de outubro de 2019

INDO NA DIREÇÃO CONTRÁRIA

Vivemos no tempo em que nos tornamos pessoas descartáveis, e encontrar quem doe atenção, cuidado e amor, é sempre tido como suspeito. 

Estamos no tempo em que nossos políticos legislam em causa própria e encontrar a resistência em alguns não é compreensível, às vezes nem é mesmo aceito. 

Recente, conversando com um amigo sobre os rumos da política e os direcionamentos que a sociedade tem tomado, voltando-se a um conservadorismo extremo, que julga e mata sonhos e que até chega a matar fisicamente por causa das diferenças, é impossível acreditar e querer lutar por dias melhores ou simplesmente por uma mudança ou mesmo lutar pelo direito de ser e viver com as diferenças que por acaso venhamos a ter em relação àqueles que têm o poder sobre o estado. 

Sim, eu ainda acredito em dias melhores e mais justos do que estes que estamos imergidos. 

A mudança verdadeira há de acontecer primeiro por meio daqueles que acreditam e são a resistência. Que dedicam o que têm e o que são, por aqueles que já não tem forças de lutar e acreditar.

É lamentável ver uma parcela considerável da sociedade, formada em sua maioria por religiosos que julgam antes mesmo do Deus que eles dizem servir. Que determinam o que é o certo e errado em uma sociedade plural e de crenças múltiplas, cada uma com sua particularidade, que merece respeito e atenção se necessária. É lamentável ver esse mesmo grupo acreditar em um Messias, que coloca a solução nas armas e na tortura daqueles que não seguem o mesmo rito que ele. 

Estão indo em direções totalmente opostas. Seguindo caminhos já trilhados, caminhos que mataram, torturaram e que para eles, parece ser a solução.

Não dá! 
Eu vou seguir o caminho contrário do deles. Eu vou continuar sendo a resistência, mesmo que para muitos parece ser loucura ou mesmo um ato de rebeldia e talvez seja mesmo. 

Não podemos nos calar e simplesmente aceitar sem antes levantar nosso grito de protesto, sem mostrar que pensamos e que somos diferentes.

À luta, firmes, fortes e unidos!

Wilton Lima

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

PERDIDOS DE SI MESMOS - Parte Final

Uma sociedade de consumidores e de ausência de certezas (Site TodaMatéria)
As pessoas tornaram-se objetos. Não temos mais uma vida social. O amor tornou-se secundário e a busca desenfreada por uma sociedade que se adeque aos nossos próprios anseios é uma realidade cada vez mais visível nesta Modernidade Líquida, como releva os estudos do sociólogo e filósofo polonês, Zygmunt Bauman que morreu aos 91 no ano de 2017, nos deixando um enorme legado sobre a fragilidade do homem em relacionar-se com o outro, em um mundo cada vez mais capitalista e imediatista.

Pessoas usam pessoas e as descartam como um objeto qualquer!

Nos perdemos ao longo da caminhada e juntos, levamos outros a este abismo sem fim. Na busca por uma satisfação imediata descartamos pessoas e sentimentos como uma naturalidade extraordinária. Nos falta o mínimo de empatia nestes dias, nos falta um olhar humano para a dor e necessidade do outro, seja ele branco, preto, homo, hétero, trans, não importa, apenas necessitamos de pessoas que amam pessoas, com suas diferenças, falhas e medos.

Eu tenho medo de como será o fim desta história.

Temos um longo caminho a percorrer, mas temo pelos que ficarão. Nada mais nos satisfaz e isso nos coloca como consumidores não apenas do que é vendável, mas consumimos sentimentos e sonhos e nos desfazemos deles com uma facilidade maior do que a "conquistamos" ou usurpamos.

Volto a reafirmar minha angústia. 

Vivemos um período onde não temos tempo para cuidar um dos outros e dar atenção que eles precisam. 

Precisamos desenvolver em nós, a cultura do cuidado, da compreensão e atenção ao próximo, mesmo que isso não nos pareça vantajoso. Pensar no outro, cuidar e compartilhar da alegria e do amor que há em nós, é essencial para que consigamos o mundo melhor e mais justo.

Ame, cuide e compartilhe dessa verdade; 
Seja o amor que este mundo precisa!

Wilton Lima

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

VAMOS CONVERSAR?

Fui criado no rigor de uma igreja evangélica pentecostal, a qual tenho muita consideração por todo aprendizado e crescimento, mesmo não concordando com muitas de suas ações como instituição religiosa.

Nunca, durante a minha infância ou adolescência ouvi sobre a depressão e suicídio de uma forma clara e humanizada. No máximo eu ouvia que era a falta de Deus e que os que cometiam suicídio já estavam no inferno. Então, este foi o pensamento que esteve fixado por muito tempo em minha mente, até que algumas experiências me fizeram querer pensar diferente ou querer entender os porquês. E hoje, busco apenas abraçar, dá atenção e amor aos que passam por tais situações, de forma direta ou indiretamente.

Vivo em uma cidade que já tive a tristeza de saber da perda de muitos jovens para o suicídio, uns de forma anunciada, outras das mais inesperadas. Ouço também, relatos de pessoas que pensam no suicídio, que acreditam ser a única solução para dá fim a algum tipo de dor ou trauma que lhes cercam de uma solidão e depressão terríveis. Vejo pessoas que se levantam apenas para julgar a dor do outro, mesmo sem as senti-las e vejo essas mesmas pessoas dizer que são servas de Deus, o que Deus que provou seu amor ao enviar o seu ÚNICO filho, Jesus, para morrer por nós, pecadores e injustos e mesmo assim, essas pessoas esquecem da essência da mensagem do Cristo, que é o amor e o perdão.

Não podemos de forma tão abstrata compreender as causas que levam uma pessoa a mergulhar na depressão e até às vezes pensar em tirar sua própria vida. E não devemos ousar dizer que isso é um pretexto para chamar atenção, talvez até queira mesmo atenção, queira ser ouvida, compreendida e acolhida em suas angústias e não ser tratada apenas, como algo descartável.

Então, sejamos mais solidários uns aos outros, amemos mais e julguemos bem menos. 
Pare, ouça, compreenda e ajude quem precisa.
Seja amor todos os dias e compartilhe dele!

Wilton Lima

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

PERDIDOS DE SI MESMOS - Parte 02

Eu vejo um povo caminhando sozinho. Sozinho em suas dores e temores, perdidos em meio ao caos que nos colocaram. 

Perdidos; estamos perdidos... 

Sendo eu um dos mais otimistas, torno-me a cada notícia e decisões deles, um pouco mais desolado e desesperado com o que virá ou com o que não há de vir. São dias difíceis e dias que vejo aqueles que deveriam unir e abraçar, julgando e dando uma sentença final, antes mesmo do fim ter chegado.

Nos julgam!

Eu vejo um povo sendo julgado pelo simples motivo de ser diferente, por pensar e agir de forma que não os agradam. Os diferentes, estão perdidos para eles, porém, ouso dizer o contrário. Perdido estão aqueles que não respeitam e não sabem conviver e amar o que lhes parece ser estranho.

Uma luta travada em nome de Deus toma uma força tão grande, que chega a levar milhares a militar contra o próprio amor e contra o perdão, que eles mesmos levam em seus discursos; discurso entre quatro paredes! Fora delas, apenas acusações e sentenças são feitas. E realmente o amor e o perdão não são para todos, pelo menos é o que os meus olhos contemplam dia após dia, reunião após reunião e lei após lei.

Estão cegos em seus próprios conceitos e guiam muitos a um vazio de si mesmos.
Perdidos, eles estão todos perdidos!


Wilton Lima

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

PERDIDOS DE SI MESMOS - Parte 01

Eu vejo o povo perdido em meio a um deserto. Deserto de cultura, de arte e o mais doloroso: deserto pela falta do amor. Liderado ainda, por pessoas com um coração voltado ao egoísmo e amor ao poder.

Na política ou na religião? Já não sei mais diferenciar; já não sei nas mãos de quem o poder estar.

A cada novo dia e a cada novo discurso, me vejo imergindo em um passado que não podíamos ser diferentes do que a Igreja propusera como padrão, de conduta e comportamento. Alguns, por serem contra e só, por serem e pensarem diferente, foram levados à fogueira ou simplesmente excomungados e tirados do convívio com aqueles que se diziam escolhidos de Deus, um deus vingativo e opressor, aparentemente.

Parte da igreja, dissidente daquela que lutou e morreu com a chamada Reforma Protestante, volta às suas origens, onde nem a própria à época, se vê mais lá.

A busca obsessiva pela aceitação transformou-se também, na luta por estar no centro de toda e qualquer decisão de um país dito laico, mas que não respeita uma adoração diferente ou mesmo demonizam os que pensam contrário da fé aceitável.

Eu vejo um povo totalmente perdido e que acredita estar trilhando o caminho ensinado por Cristo. Porém, Jesus não nos ensinou a amar o outro como Ele mesmo nos amou? Não perdoou aqueles que o mataram? Eu vejo um povo perdido! 

Os tronos voltam a ser erguidos e neles estão homens e mulheres tão opressores quanto àqueles que condenaram e mataram Jesus.

Eu vejo um povo perdido...

Os muros que separavam, outrora derrubados, tentam erguer-se ao poder de quem já sabe mais o que é o amor. As lutas por igualdade e direitos são para eles insignificantes e nos colocam novamente às margens, ou estão tentando. 

Os poderosos ultrajados de misericórdia, apenas aprisionam o povo já perdido em sua fé e dele sugam toda e qualquer esperança e força.

Perdidos...
Estamos perdidos.
Há quem nos socorrerá?
Em quem podemos esperar?

A luta não tem sido fácil, há de tornar ainda mais difícil. Porém, precisamos resistir a toda forma de opressão e exclusão àqueles que pensam, agem e são diferentes ou simplesmente são o que são. Uns pelos outros e amando uns aos outros com suas diferenças e particularidades.

Wilton Lima

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

ENTRE CERTEZAS E INCERTEZAS - Parte 01

De repente o clima na cidade muda; os ânimos se afloram. Desta vez com uma intensidade, aparentemente, maior que outrora. Sim, já fostes de tempos turbulentos, de dias incertos e de um futuro nada promissor. 

Passado ou presente? Ambos se interligam, ambos já brincaram juntos. Porém, nem tudo sai como planejado, nem todos são como imaginamos ou confiamos. 

Um deles viu e sentiu a traição.

O presente tornou-se rapidamente passado, mas ele voltaria a ser a esperança de um futuro melhor. Um futuro que tudo era a nossa vida; a força e a coragem de reconstruir e seguir em frente. O que foi passado então, tornou-se nosso presente, junto de alguns de um passado ainda mais distante. Ficou e construiu o que era apenas sonhos de um futuro próximo. 

A alegria e compaixão ao próximo, durou um bom tempo. Infelizmente, por um descuido momentâneo talvez, tudo desmorona e novamente, ele volta ao passado, sendo assim substituído por um novo presente com características de um passado tão doloroso, mas que agora estavam em lados opostos, mas eram muito semelhantes.

Agora o passado diz não confiar no que foi, nem no que é. Contraditório ao sabermos que fostes coadjuvante de um passado sombrio e que mesmo depois de algumas tentativas frustradas de voltar ao centro da história, nos vem com este diálogo do diferente e renovador.

Não! 

Eu, vivi todas as versões desta história e dificilmente um discurso manipulador me seduzirá. Ainda mais sendo recheado de boas intenções, vindas de alguém que já participou do que era mal, que podia ajudar e não ajudou, que os abandonou quando mais precisou. 

Eu jamais trocarei o certo pelo que nos parece ser incerto, mas com a certeza que eles seriam os mesmos que já foram um dia.

Wilton Lima

terça-feira, 13 de agosto de 2019

AS DECISÕES DE UM POETA - Parte 01

O mais difícil para eles tem sido escolher qual dos caminhos é o correto ou mesmo qual deles é o mais fácil. A verdade é que deverão existir algumas perdas, seja qual for o caminho escolhido.

Ao olharmos para as marcas que ficaram do sentimento vivido e compartilhado, a dor volta com muita intensidade e traz lágrimas ao coração, já tão machucado e com poucas forças para resistir às altas ondas do mar a frente. 

A decisão de continuar tem sido muito difícil para eles, parece que todos se voltaram contra. Notamos que aquele amor já não é tão aceito. Nem sabemos se era aceito!
Dói...
A indiferença daqueles que se diziam estar juntos, ao lado para cuidar e abraçar, simplesmente se afastaram.

Em momento algum, nenhum chegou a culpar o outro pelos desencontros, nem por aquele primeiro naufrágio que poderia ter sido evitado, apenas os guardam em um silêncio tão profundo que nada e ninguém chegará a alcançar, nem mesmo vê-los de longe.

As barreiras são conhecidas e evitáveis, porém, algo nos impede de removê-las. Talvez seja o medo, ou voz da razão tentando nos dizer que a direção apontada por ela é a melhor; a correta. E mesmo debilitado, o coração resiste e nos aponta um caminho difícil, com muitas pedras e barreiras a serem enfrentadas, mas o caminho nos parece ser o mais livre, com uma alegria tão bela e inexplicável que só encontro no seu olhar.

Então, eu seguro firme nas suas mãos e decido continuar, mesmo sabendo que fácil nunca será.

Wilton Lima